Zeitgeist Addendum
Como entender como funciona a economia moderna.
Como entender como a criação de dinheiro funciona.
Como entender como entender o como sutil como somos escravizados hoje.
Como entender o império americano e seu ditadura baseada no domínio das grandes corporações.
São doze partes, clique duas vezes acima para entrar no youtube, as outras partes estão do lado direito.
Canção de Atma
ÄTMAÑAÖAK OU nirvana satkam
por Shankaracharya
Eu não sou a mente, nem o intelecto, não sou o ego nem a consciência;
Não sou a audição, nem o paladar, o olfato ou a visão;
E nem o espaço ou a terra, não sou a luz ou o ar.
Minha natureza é a benção da pura consciência. Eu sou Shiva, eu sou Shiva.
Não sou o que se chama de Prana (energia) nem os cinco alentos vitais;
Nem os sete elementos, nem os cinco corpos.
Não sou a fala, as mãos ou os pés, nem o sexo ou a excreção.
Minha natureza é a benção da pura consciência. Eu sou Shiva, eu sou Shiva.
Não tenho apegos nem sinto aversão a nada. Nem ganância, nem confusão.
Nem o orgulho nem a inveja são meus.
Não tenho deveres (dharma), nem objetivos, nem desejo, nem aspiro à libertação (moksha).
Minha natureza é a benção da pura consciência. Eu sou Shiva, eu sou Shiva.
Nem a virtude, nem o pecado, nem a alegria ou o sofrimento;
Nem o mantra, nem os lugares sagrados, nem as escrituras ou o ritual.
Não sou o prazer, nem o que é prazeiroso, nem aquele que desfruta do prazer.
Minha natureza é a benção da pura consciência. Eu sou Shiva, eu sou Shiva.
Não sou a morte nem o medo, não tenho classe social ou casta;
Nem pai, nem mãe, nem o nascimento são meus.
Não tenho parentes ou amigos, nem guru ou discípulos.
Minha natureza é a benção da pura consciência. Eu sou Shiva, eu sou Shiva.
Sou imutável, sem forma,
Não estou subjulgado pelos sentido e permeio tudo o que existe.
Sou incomensurável. Estou além da servidão e da própria libertação.
Minha natureza é a benção da pura consciência. Eu sou Shiva, eu sou Shiva.
Guru
“Guru Brahma Guru Vishnu Guru Devo Maheshwara
Guru Sakshath Parambrahma Tasmai Shri Gurave Namaha
Significa: Guru é o criador Brahma; Guru é o preservador Vishnu; Guru é também do destruidor Shiva e ele é a fonte do Absoluto. Eu ofereço todo o esforço do meu trabalho ao Guru. “
Extraído de Gurustotram (versos ou hino ao Guru) primeiros versos, autor Ady Shankaracharya.
Guru Gita, 46.
Somente o guru, [que está sempre] tranquilo, é a Suprema Condição”.
Shri Tattva Cintamani, 2.36, Purnananda.
O discípulo é a última.
O conhecimento é o lugar de encontro.Instrução é o elo”.
Taittiriya-Upanishad (3.1.1)
Patañjali, selos do Vale do Indo, Bhagavad Gita
Patañjali é um marco histórico por se tratar do mais antigo documento que trata especificamente do Yoga como um assunto distinto de qualquer outro. O assunto do texto de Patanjali é o próprio Yoga.
O Yoga é mencionado desde algumas das mais antigas upanishadas como uma prática de ajustamento da mente, e, particularmente na Shvetashvatara Upanishat ele é descrito com mais detalhamento, já com todos os traços característicos do então futuro Yoga Clássico. Ali também nasce a figura de Shiva, ainda como uma personificação benigna do deus Rudrá.
O conceito do Yoga, portanto, surge ainda no período védico da literatura sânscrita, e isso é o máximo que podemos afirmar com certeza sobre suas origens.
Quanto à comparação das poses de figurinhas dos selos da civilização do Vale do Indo com os asanas do Yoga, é equivocada, pois nada sugere que houvesse qualquer ênfase em posturas nas referências mais antigas ao Yoga. Para ser preciso, essa ênfase surge muito tardiamente no Yoga, a partir da abordagem tântrica, que aparece somente na Idade Média (ha pouco mais de mil anos).
O Yoga mencionado na Bhagavad Gita parece estar a caminho de se tornar uma doutrina (o que acontecerá apenas com Patanjali). Mas é um equívoco considerar que ali são tratados vários “tipos” de Yoga. A palavra “yoga”, ali, tem um significado genérico de “uso” – de onde podemos tirar: o uso da Inteligência (buddhiH); o uso do ritual (karma); e o uso do compartilhamento divino (bhaktiH). Ela menciona o uso dessas ferramentas para a realização do Dharma – que é o verdadeiro foco da Gita.
Kriya Yoga é uma expressão utilizada por Patanjali na primeira frase do segundo capítulo dos Sutras para descrever aquilo que resume a prática de sua doutrina, ou seja, apenas três componentes do niyama: tapas, svadhyaya e Ishvarapranidhanam. Não é um “tipo” de Yoga, mas sim aquilo que Patanjali sugere que seja o “coração” do Yoga, pois produz samadhi e atenua as perturbações ao processo do Yoga.
Carlos Eduardo
Kundalini e Yoga
Kundalini certamente é assunto para o Yoga, dentro do escopo da Cultura Tântrica.
Acredito que o medo que muitas pessoas alegam ter de Kundalini seja decorrente de leituras que fizeram, e não de experiência pessoal. Esta minha crença decorre da percepção de que, embora muitos praticantes de Yoga tenham lido ou ouvido falar sobre Kundalini, na verdade não têm uma compreensão clara sobre o assunto. Se perguntados sobre o que é, em geral são capazes apenas de repetir algumas generalidades da literatura comum.
A principal fonte de desinformação sobre Kundalini é a literatura ocultista, em especial aquela alegadamente produzida por “clarividência”. É importante que o praticante de Yoga entenda que o Ocultismo ocidental não é fonte confiável de referência para ele. Para entender Kundalini ele precisa buscar a literatura do Tantra.
Depois, é interessante destacar que a literatura do Tantra é muito difícil de se encontrar fora da Índia. Pois está em sua maior parte traduzida apenas do Sânscrito para o Hindi, ou foi composta em Tamil ou Hindi e jamais traduzida. Será preciso, portanto, se valer de poucas fontes mais acessíveis.
Por fim, como a tradição do Tantra está muito focada na relação guru/shiShya, uma parte da literatura positivamente adverte que não se deve estudar o assunto senão sob a orientação pessoal de um guru. Isso deve ser entendido como uma característica comum a todos os assuntos tratados pelo Tantra, e não apenas Kundalini.
Carlos Eduardo
Surya Namaskara é antigo?
O Surya Namaskara é uma prática relativamente recente, desenvolvida aparentemente na região do Rajastão. Está baseada em rituais muito antigos de saudação ao Sol que eram executados às margens dos rios ou dentro de suas águas, em tempos védicos, e que são praticados ainda hoje por toda a Índia. Diariamente essa prática pode ser testemunhada ao amanhecer na margem oeste do Ganges, em Varanasi.
No Rajastão há famílias Rajputs que se acreditam integrantes do Surya VaMsha (Dinastia Solar), e como tal possivelmente teriam adaptado os rituais para uma série de saudações às várias manifestações da divindade solar.
Apenas há pouco mais de um século essa prática teria sido formalmente assimilada ao Yoga, e adaptada para encenar uma sequência de posturas do tipo “asanam”. O Raja de Aundh (Maharashtra), que em 1937 estudava Direito em Londres, teria chamado a atenção pública ao ensinar uma sequência de posturas, praticadas por sua família, a um grupo de britânicos. Entre eles estava um jornalista que, após anotar detalhadamente o procedimento, teria publicado artigos e um livro a respeito do Surya Namaskar, tornando-se o responsavel pela popularização gradual da prática no ocidente.
A sequência moderna enuncia doze nomes pelos quais é chamado o deus do Sol, mas que não têm necessariamente relação com posição do astro no céu, ou com os signos do Zodíaco.
Carlos Eduardo
Por que razão Kundalini deveria ser perigosa?
Kundalini é representada por uma língua de fogo celestial (jyotish), pura força (shakti), que penetra nosso corpo no momento do nascimento astrológico por uma passagem imaginária entre as sombrancelhas (bhrumadhya). Ela é a porção da esposa de Shiva que residirá dentro de nós durante todo o período de nossa vida, alojada num ponto qualquer próximo à base de nossa coluna vertebral.
A concepção tântrica do mundo parte do postulado de que tudo o que existe originalmente dentro de nós, existe para o nosso bem. Kundalini jamais poderia ser uma ameaça, se está dentro de nós. Ela não é um corpo estranho que teria entrado em nosso corpo no curso de nossa vida, como uma toxina, uma idéia alheia ou um microorganismo ameaçador. Kundalini por hipótese nehuma pode produzir dor, perturbação, desequilíbrio ou ameaça à vida do corpo em que ela se aloja.
Kundalini representa a força que dá identidade e sentido para o nosso corpo, e essa identidade é o nosso Dharma pessoal. Se você acreditar que Kundalini existe, então deve aceitá-la como a referência energética de sua vocação pessoal. Ela te dá vigor e perspicácia para realizar aquilo que dá significado para a sua vida.
Quanto a essa conversa de “despertar” Kundalini, é a mesma coisa que “despertar” nosso sistema endócrino ou “despertar” nossa musculatura. Isso não significa que nossas glândulas endócrinas vão subir para o alto de nossa cabeça, ou que nossos músculos vão passear por várias partes de nosso corpo.
Kundalini “desperta” apenas no sentido de expandir o efeito de sua presença para o resto do sistema orgânico, dando ao indivíduo uma autenticidade maior. A idéia tântrica é a de que o nosso ideal espiritual está estampado em nosso corpo, junto à nossa genitália. Para realizarmos esse nosso ideal, buscamos nessa região do corpo os sinais indicadores do rumo que devemos dar à nossa vida. Como Kundalini tem a natureza da contemplação (de acordo com Abhinavagupta), então é entrando em modo contemplativo que trazemos o modo de ser dessa força para o corpo todo – o que seria o “despertar” dessa serpente cósmica em nós.
Além disso, nossa consciência opera quando Kundalini repousa, e ela assume o controle quando caímos na inconsciência.
Em suma, há muito para se dizer sobre Kundalini, mas primeiro precisamos olhar Kundalini sob a mesma luz que aqueles que a descreveram para nós.
Carlos Eduardo
Samádhi
“Vazio no interior e vazio no exterior, como um jarro vazio no espaço. Plenitude no interiror e plenitude no exterior, como um jarro imerso no oceano.”
Hatha Yoga Pradipika, IV, 56
Refletir sobre a História … buscar a Verdade …
Namaste amigos,
Um dos muitos mitos e falácias divulgados à respeito da Deusa Kali e Seu culto é aquele que afirma que sua adoração teria sido proibida pelos Ingleses devido à sua associação com a seita dos Thugs. Os Ingleses divulgaram através de sua imprensa (marrom) que havia na Índia uma seita de loucos fanáticos e homicidas que adoravam a Deusa Kali através do assassinato ritual e manipularam a opinião publica de forma que este costume bárbaro sofresse represálias à pedido da própria população. A verdade no entanto é outra …
A Deusa Kali têm sido uma das Divindades mais populares da região da Bengala e da Índia como um todo. Os Bengalis são conhecidos na Índia pelos seus dons artísticos e sua vigorosa força e influência cultural e política, na verdade é lá que encontramos as raízes da articulação política e nacionalista Indiana e lá também se situava a antiga capital da província Indiana – a cidade de Kolkata (antiga Calcutá).
È neste ambiente que a imagem da Deusa Kali se destacava como a representação dos anseios de liberdade do povo Indiano e muitos de Seus hinos (como o Chandi Path) eram recitados com uma mistura de fervor devocional e libertário. Não é necessário muita esperteza para perceber que este culto não agradava em nada aos senhores Britânicos e logo eles começaram à arquitetar uma maneira de destruir os movimentos de resistência e eliminar o símbolo deste anseio nacionalista (a imagem de Kali guerreira). No entanto eles não desejavam prejudicar sua imagem perante a opinião publica e ou se passar por “tirânicos”.
A resposta para este impasse veio através da descoberta e divulgação das atividades de uma seita inexpressiva de radicais adoradores de Kali que atuava nas estradas de barro do interior do País. Rapidamente as noticias sobre este grupo se espalharam e tomaram proporções imensas (até hoje muitos desinformados associam a Mãe Kali somente aos Thugs). Com o apoio do clamor “popular” as “autoridades” Britânicas puderam reprimir os movimentos de resistência que tinham como símbolo principal a imagem de Kali e ainda puderam se fazer passar por civilizadores e protetores dos nativos …
Realmente havia uma seita extremista na Índia chamada de Thugs, porém suas vítimas eram apenas peregrinos que demonstravam estar envolvidos com atividades consideradas inapropriadas ou “malévolas” e os Ingleses não tinham interesses por nenhum destes grupos.
Vale à pena lembrar a importância do Juiz da Suprema Corte Inglesa na Índia – Sir John Woodroffe que havia se convertido, recebido iniciações e se tornou um fervoroso devoto da Mãe Kali. Ele patrocinou a tradução do MahaNirvana Tantra para o Inglês, um Tantra que possui centenas de versos dedicados à legislação, direito legal e organização dos deveres do estado. Isto foi feito no intuito de demonstrar que os “nativos’ não eram tão selvagens como a mídia dominante na época queria deixar transparecer …
Como vemos algumas das supostas “verdades” sobre a história dos séculos XIX e XX merecem bastante estudo e reflexão. Vamos pesquisar e refletir pois ao buscador sincero a verdade não se esconde …