Os mudrás do Hatha Yoga

Esses são os mudrás mais importantes como descritos pelo Hatha Yoga Pradipika, Gheranda Samhita e Shiva Samhita, os textos mais importantes e considerados do Hatha Yoga. Essa é a versão grande, depois postarei uma versão resumida, para preguiçosos. No Gheranda Samhita há mais mudrás, mas não coloquei todos.

Mahamudrá, o grande gesto.
III:10.
Para fazer mahamudrá deve-se pressionar o calcanhar esquerdo no períneo e, mantendo esticada a perna direita, segurar os dedos do pé direito com as mãos.

III:11.
Depois, se contrai a garganta (em jalándhara bandha) e se conduz o prána para cima (por sushumná); Desta forma kundaliní se move para cima, como uma serpente cutucada por uma vara.

III:12.
Então, as outras nádís ficam (geladas), sem vida (porque o prána já não as percorre).

III:13.
Exalar a continuação muito lentamente, nunca depressa; os sábios denominam esta prática mahamudrá, o grande selo.

III:14.
Com esta prática, se destroem os kleshas e se vence a morte; é por isso que os homens mais sábios a chamam mahamudrá, o grande selo.

III:15.
Depois de praticar com o (calcanhar) esquerdo (no períneo) se deve repetir com o direito, finalizando a prática quando se houver executado igual número de vezes para cada lado.

III:16.
Para quem pratica (o mahamudrá) nenhum alimento é já saudável o prejudicial, pois todas as coisas, independentemente de seu sabor, inclusive as que não têm sabor, e até o mais poderoso veneno, se digerem e se tornam néctar para ele.

III:17.
Aquele que pratica mahamudrá supera problemas como emagrecimento, lepra, hemorróidas, inchaço do abdômen (gulma), moléstias digestivas e outras.

III:18.
Assim foi descrito o mahamudrá, que proporciona grandes siddhis aos homens; deve manter-se cuidadosamente em secreto, sem revela-la a ninguém.

GS

Pressionar com firmeza o calcanhar esquerdo contra o ânus. Estender a perna direita e segurar o dedo gordo do pé com as mãos. Contrair a garganta. Fixar o olhar no intercílio.

3:8. Esta técnica cura todas as enfermidades (abdominais) e, em especial, prisão de ventre, inflamação do baço, indigestão e febre.

SS

17.1.De acordo com as instruções do Guru, pressione gentilmente o períneo com o calcanhar do pé esquerdo. Esticando o pé direito, segure-o firme com as duas mãos. Tenho fechado os 9 portais (do corpo), encoste o queixo no peito. Depois concentre as vibrações da mente e inspire o ar, retendo-o através da Kumbhaka (desde que uma pessoa possa fazer isso confortavelmente). Esta é Mahamudra, mantida em segredo em todos os Tantras. O Yogi, com a mente estável, tendo praticado isso no lado esquerdo, deve então praticá-lo no lado direito, e em todos os casos deve manter-se firme no Pranayama – o controle de sua respiração.

18.2.Dessa forma, mesmo o Yogi mais desastroso, poderia obter êxito. Através desses meios, todas as veias do corpo são dilatadas e agitadas em atividade; a vida é ampliada e sua decadência é detida, e todos os pecados são destruídos. Todas as enfermidades são curadas, e o fogo gástrico é aumentado. Isso confere uma beleza perfeita ao corpo, e destrói o declínio e a morte. Todos os frutos de desejo e prazer são obtidos, e os sentidos são conquistados. O Yogi fixo na meditação, adquire todas as coisas acima mencionadas, através da prática. Não deveria haver nenhuma hesitação em fazê-la.

19.3.Oh, adorador dos deuses ! Saiba que essa Mudra é para ser mantida em segredo com a maior cautela. Obtendo isso, o Yogi atravessa o oceano do mundo.

20.4.  Essa Mudra, descrita por mim, é quem oferece todos os desejos ao praticante; deveria ser praticada e nunca ser dada a todos.

Mahabandha, a grande contração.
III:19.
Mahabandha: coloca-se o calcanhar esquerdo contra o períneo e o pé direito sobre a coxa esquerda.

III:20.
Depois da inspiração, pressionando firmemente o queixo contra o peito (em jalándhara bandha), deve-se contrair os esfíncteres e concentrar a atenção em sushumná.

III:21.
Após reter a respiração o maior tempo possível é preciso exalar lentamente; depois de ter praticado pelo lado esquerdo, deve-se fazer o mesmo mudando a posição das pernas.

III:22.
Segundo outras versões, não é necessário contrair a garganta (jalándhara bandha); em seu lugar, deve pressionar-se a língua firmemente contra a raiz dos dentes superiores (jihva bandha).

III:23.
Através desta prática (de mahabandha com jihva bandha), que ajuda a conseguir grandes siddhis, detém-se o fluxo ascendente do prána por todas as nádís (a exceção de sushumná).

III:24.
Esta técnica permite liberar-se da grande armadilha de Yama, o deus da morte, consegue ainda a união das três correntes prânicas (ídá, pingalá e sushumná) e possibilita que a mente permaneça concentrada em Kedara (a moradia do deus Shiva).

III:25.
Igual que a beleza e o encanto não servem de nada para uma mulher se ela não está junto a um homem, o mahamudrá e o mahabandha são inúteis sem o mahavedha.

GS

Pressionar o orificio anal con o calcanhar esquerdo. Pressionar suavemente este calcanhar com o calcanhar direito. Lentamente e com cuidado contrair os músculos do recto

3:19. Ao mesmo tempo, contrair os músculos do períneo. Reter a respiração (com os pulmões cheios) em jalandarabhanda. Estas três contracções juntas (ânus, períneo e garganta) constituem mahabandha.

3:20. Mahabandha é o maior dos bandha. Destrói a decadência e a morte. Graças à sua prática, realizam-se todos os desejos.
SS

21.1.Depois (após Mahamudra), tendo esticado o pé direito, colocando-o sobre a coxa esquerda, contraia o períneo e puxe o Apana Vayu para cima, e una-o com o Samana Vayu; vire o Prana Vayu para baixo e então permita que o sábio Yogi dobre-os em trio no umbigo (o Prana e o Apana deveriam estar unidos ao Samana no umbigo). Eu tenho dito a você como o Mahabandha mostra o caminho para a emancipação. Dessa forma, todos os fluidos nas veias do corpo do Yogi são impulsionados em direção à cabeça. Isso deveria ser praticado com muita atenção, alternadamente com ambos os pés.

22.2.Através dessa prática, os gases penetram o canal central de Sushumna, o corpo é revigorado através disso, os ossos são firmemente reforçados, o coração do Yogi torna-se repleto (de satisfação). Por intermédio desse bandha, o grande Yogi realiza todos os seus desejos.

Mahavedha, a grande passagem.
III:26.
Mahavedha: o yogi, sentado em mahabandha, deve inalar com a mente concentrada e deter a continuação o fluxo de prána tanto para cima como para abaixo, por meio de jalándhara bandha.

III:27.
Com as palmas das mãos apoiadas no solo, o yogi deve elevar seu corpo no ar para deixar-se cair suavemente sobre seus glúteos várias vezes. Assim, o prána abandona as nádís (ídá e pingalá) e penetra em sushumná.

III:28.
Desta forma acontece a união da lua, o sol e o fogo (ídá, pingalá e sushumná), que conduz à imortalidade; quando o corpo adquirir aspecto de cadáver, o yogi deve exalar (lentamente).

III:29.
Com a prática de mahavedha se conseguem grandes siddhis; ele faz desaparecer rugas e cabelos brancos e instabilidade do corpo (sinais de velhice) e, portanto, é praticado pelos melhores mestres.

Efeitos.
III:30.
Estas são as três (práticas) que devem manter-se secretas e que protegem contra a morte e a velhice, aumentam o fogo gástrico e proporcionam poderes paranormais (siddhis), como animan e outros.

III:31.
Estas três devem praticar-se oito vezes ao dia, a cada três horas; isto aumenta os efeitos benéficos das ações e elimina os negativos; quem receber a instrução adequada às praticará gradativamente.

GS

Da mesma forma que a beleza, juventude e encanto de uma mulher são inúteis sem um homem (que a admire), assim são múlabandha e mahabandha sem mahavedha. Sentar-se em mahabandha e reter o alento com uddana kumbhaka (retenção do alento com os pulmões vazios junto com uddiyanabandha). Isto é mahavedha, que da êxito aos yoguis.

3:23-24. Quem praticar diariamente múlabandha e mahabandha com mahavedha é o melhor dos yoguis. Para ele não existe o medo da morte. A decadência não o alcança. Os yoguis devem mantê-lo em segredo.

SS

23.1.Oh Deusa dos 3 Mundos ! No momento em que o Yogi, enquanto realiza o Mahabandha, promove a união do Prana e Apana Vayus, e preenche as vísceras com o ar, dirigindo-o lentamente em direção aos portais, isso é chamado Mahavedha.

24.2.O melhor dos Yogis tendo, através da ajuda de Vayu, quebrado com seu perfurador o nó que está no caminho de Sushumna, então deveria partir o nó de Brahma.

25.3.Aquele que pratica esse Mahavedha com grande discrição, obtém Vayu-Siddhi (sucesso sobre a mente). Isso destrói o declínio e a morte.

26.4.Os deuses residentes nos chakras tremem devido ao gentil fluxo e refluxo do ar do Pranayama; a grande deusa Kunali Mcha Maya também é absorvida no Monte Kailasa.

27.5.O Mahamudra e Mahabandha tornam-se frutíferos se não forem seguidos pelo Mahavedha; contudo, o Yogi deveria praticar todos esses 3 sucessivamente com grande atenção.

28.6.Aquele que pratica esses 3 diariamente, 4 vezes, com grande interesse, sem dúvida conquista a morte dentro de 6 meses.

29.7.Somente o Siddha conhece a importância desses 3 e nenhum outro mais; conhecendo-os, o praticante obtém o sucesso.

30.8.Isso deveria ser mantido em grande segredo pelo praticante desejoso em obter poder; caso contrário, é certo que os poderes cobiçados nunca poderão serem obtidos através da prática das Mudras.

Khecharí: técnica.
III:32.
Khecharí: com a língua recolhida para cima e para trás, obstrui-se o orifício de conexão do palato com as fossas nasais e se fixa o olhar no ponto entre as sobrancelhas.

III:33.
A língua deve alongar-se gradualmente, cortando (o freio), agitando-a e esticando-a até que se possa tocar o intercílio. Então se consegue realizar propriamente o khecharí mudrá.

III:34.
Com uma faca limpa e muito afiada, em forma de folha de cacto, se faz um corte da espessura de um cabelo na base do freio da língua.

III:35.
Depois, se esfrega a região com uma mistura de sal de rocha e cúrcuma. Depois de sete dias, é preciso cortar novamente a espessura de um cabelo.

III:36.
É preciso continuar fazendo o mesmo durante seis meses, com cuidado e de forma gradual. Então, o freio da língua ficará completamente cortado.

III:37.
Quando o yogi dobra a língua para cima e atrás, pode fechar o ponto em que se cruzam as três nádís, denominado vyoma chakra; este é o khecharí mudrá.

Khecharí: efeitos.
III:38.
O yogi que permanece apenas por meio kshana (período de vinte e quatro minutos) com a língua para cima, liberta-se de envenenamentos, doenças, velhice e morte.

III:39.
Quem dominar o khecharí mudrá não se verá afetado pela doença, a morte, a decadência mental, o sono, a fome, a sede o a falta de lucidez intelectual.

III:40.
Quem dominar o khecharí mudrá ficará livre das (leis do) karma e do tempo.

III:42.
Uma vez obstruído o orifício da parte superior traseira do palato por meio do khecharí mudrá, o yogi pode controlar a ejaculação, até mesmo no abraço mais passional com uma mulher.

III:43.
E até mesmo que aconteça a ejaculação, o bindu será forçado para cima, por meio de yonimudrá.

GS

Cortar o tendão inferior da língua e mantê-la continuamente em movimento. Massajá-la com manteiga fresca. Puxá-la com um instrumento de aço (para alongá-la).

3:26. Com a prática contínua consegue-se alongar a língua. Obtêm-se khecharimudra quando a ponta da língua pode tocar o intercílio.

3:27. Em seguida, quando se tiver alargado suficientemente a língua: levar a língua para cima e para trás para tocar o palato. Com a prática, alcança-se as cavidades nasais que comunicam com o interior da boca. Fechar estes orifícios com a língua (retendo a respiração). Fixar o olhar no intercílio.

3:28. Com esta prática desaparecem debilidade, fome, sede e preguiça. Não surgem enfermidades, decadência ou morte. O corpo torna-se divino.

3:29. O corpo não pode ser queimado pelo fogo, secado pelo ar ou molhado pela água. O corpo não pode ser mordido pelas serpentes.

3:30. O corpo torna-se belo. O samádhi alcança-se facilmente. Ao tocar os orifícios nasais internos com a língua, experimentam-se diversos sabores.

3:31-32. Experimentam-se novas sensações à medida que flui abundantemente néctar. Apreciam-se sucessivamente os seguintes sabores: salgados, alcalinos, amargos, adstringentes, manteiga, ghee, leite, coalhada, soro, mel e sumo de palmeira. Finalmente, manifesta-se o sabor do néctar.
SS

31.1.O sábio Yogi, sentado na postura Vajrasana, em um local livre de toda perturbação, deveria firmemente fixar seu olhar sobre o ponto no meio das 2 sobrancelhas; e voltando a língua para trás, fixe-a no buraco abaixo da epiglote, colocando-a com grande cuidado na boca do poço de néctar (fechando a passagem de ar superior). Essa Mudra, descrita por mim a pedido de meus devotos, é a Khecharimudra.

32.2.Oh, meu amado ! Saiba que isso é a origem de todo sucesso, sempre praticando, permita que ele beba a ambrosia diariamente. Através disso, ele obtém Vigraha-Siddhi (poder sobre o Microcosmo), igualmente como o leão sobre o elefante da morte.

33.3.Se puro ou impuro, em qualquer que seja a condição que uma pessoa possa estar, se o êxito for obtido em Khechari, ela torna-se pura. Não há dúvidas sobre isso.

34.4.Aquele que pratica isso, mesmo por um momento, atravessa o grande oceano dos pecados, e tendo desfrutado dos prazeres do mundo Deva, nasce em uma família nobre.

35.5.Aquele que pratica essa Khecharimudra, calmamente e sem ociosidade, conta como se fossem segundos o período de centenas de Brahmas.

36.6.Aquele que conhece essa Khecharimudra, de acordo com as instruções do Guru, obtém o mais elevado fim, ainda que submergido em grandes pecados.

37.7.  Oh, adorador dos deuses ! Essa Mudra, estimada como a vida, não deveria ser dada a todo mundo; deve permanecer oculta com grande cuidado.

Somarása: o néctar celestial.
III:44.
Quem domine os secretos do Yoga pode vencer a morte em quinze dias, mantendo a língua dobrada para trás, com a mente concentrada e bebendo o néctar vital (somarása).

III:45.
O yogi que inunda seu corpo diariamente com o néctar que flui da “lua” (somarása) é imune ao veneno, mesmo que seja mordido pela serpente takshaka.

III:46.
Da mesma forma que o fogo arde enquanto houver combustível e a lâmpada ilumina enquanto tiver óleo e pavio, a alma permanece no corpo enquanto houver néctar brotando do terceiro olho (soma chakra).

III:47.
Quem comer carne de vaca (gomansa) e beber aguardente (amaravarunni) diariamente, será considerado como uma pessoa distinguida; em outro caso, desprestigiará sua família.

III:48.
A palavra go alude à língua; “come-la” (gomansabhaksna) é introduzir a língua na cavidade do palato. Isto destrói as ações errôneas (pápa).

III:49.
Quando a língua se volta para trás e penetra na garganta, o corpo se aquece muito e flui o somarása. Isto se chama amaravarunni.

III:50.
Se o yogi pressionar a língua contra o orifício do palato, fazendo fluir o somarása, que tem sabor salgado, ácido e picante, mas que também parece leite, mel e ghee, elimina todas as doenças e a velhice, se torna invulnerável aos ataques armados, alcança a imortalidade e os oito siddhis e se torna irresistível para as mulheres siddhas.

III:51.
Aquele que, com o olhar dirigido para cima e a língua fechando o orifício do palato, medita sobre Parashaktí e bebe da clara fonte do néctar, desde a cabeça até o loto de dezesseis pétalas (vishuddha chakra), por meio do controle do prána, se libera de toda enfermidade e vive muito tempo com um belo corpo, elegante como um talo de loto.

III:52.
Aquele que possui uma mente pura (da natureza de sattva, não ofuscada ela ação de rájas e tamas) reconhece a verdade (da sua própria alma) no néctar segregado desde a cavidade de onde surgem as nádís, na parte superior do monte Meru (o interior da cabeça, acima do intercílio); da “lua” surge o néctar, a essência corporal e, da sua perda, a destruição física. Por conseguinte, se deve praticar o benéfico khecharí mudrá (para deter a perda); do contrário não se conseguirá obter a perfeição física (caracterizada por beleza, graça, força e autocontrole).

III:53.
Tal cavidade, na abertura superior de sushumná, é o lugar de confluência dos cinco rios (as cinco principais nádís) e proporciona o conhecimento divino; no vazio da abertura, livre da influência da ignorância (avidyá), da dor e das ilusões (o yogi, através do) khecharí mudrá, alcança a perfeição.

Conclusão.
III:54.
Existe somente um gérmen de evolução: o mantra Om; existe somente um mudrá: khecharí; somente um dever: chegar a ser independente de tudo, e somente um estado mental: o manomani avasthá (estabilidade da mente).

Uddiyana bandha, elevando a energia.
III:55.
Uddiyana bandha: chama-se assim entre os yogis porque com sua prática o prána voa para cima por sushumná (uddiyana significa “vôo ascendente”).

III:56.
Graças a este bandha, o grande pássaro prána (váyu) voa incessantemente através de sushumná; a continuação se explica uddiyana bandha.

III:57.
Chama-se uddiyana bandha à retração do abdômen por cima do umbigo (de tal forma que se pressione em direção às costas e ao diafragma); é o leão que vence o elefante (a morte).

III:58.
Aquele que praticar com freqüência uddiyana bandha seguindo as instruções do seu guru, até que a contração se produza de forma natural e constante, rejuvenescerá, por idoso que seja.

III:59.
Deve-se contrair vigorosamente o abdômen na região do umbigo para cima e para trás. No prazo de seis meses se vencerá à morte, sem sombra de dúvida.

III:60.
Entre todos os bandhas, uddiyana é o melhor. Quando se consegue domina-lo, a liberação se produz espontaneamente.

GS

Contrair o abdómen tanto para cima como para debaixo do umbigo. Empurrá-lo para trás, de maneira que os órgãos abdominais sejam comprimidos contra a coluna vertebral. Quem praticar este selo continuamente vencerá a morte.

Graças a esta técnica, o “grande pássaro” (hamsa), a força vital (prána), é forçada insistentemente a “voar para cima” (uddína), ou seja, a ascender pelo canal central (sushumna-nádi).

3:11.De todos os bandha, este és o melhor. Com a sua prática completa facilita-se a libertação.

SS (Uddana-Bandha)

48.1.Quando os intestinos, acima e abaixo do umbigo, são trazidos para o lado esquerdo, isso é chamado Uddana-Bandha – o destruidor de todos os pecados e tristezas. As vísceras do lado esquerdo da cavidade abdominal deveriam ser levadas para cima do umbigo. Esse Uddana-Bandha, é o leão do elefante da morte.

49.2.O Yogi que pratica isso 4 vezes ao dia, purifica desse modo seu umbigo, através do qual os gases são purificados.

50.3.Praticando isso por 6 meses, o Yogi certamente conquista a morte; o fogo gástrico é aceso e ocorre um aumento dos fluidos do corpo.

51.4.Através disso, consequentemente, o Vigrahasiddhi também é obtido. Todas as doenças do Yogi são certamente destruídas por isso.

52.5. Tendo recebido o método através do Guru, o sábio Yogi deveria praticá-lo com grande atenção. Essa Mudra mais inacessível deveria ser praticada em um local afastado e sem perturbação.

Múla bandha, contraindo a base.
III:61.
Múla bandha: pressionar o períneo com o calcanhar e contrair o (esfíncter do) ânus para fazer subir apána.

III:62.
Por meio da contração de múládhára, a corrente de prána, que normalmente flui para abaixo, é forçada a subir (por sushumná); os yogis chamam este exercício múla bandha.

III:63.
Pressionando o calcanhar contra o períneo, se faz força sobre apána, até começar o movimento ascendente.

III:64.
Através de múla bandha, tanto prána e apána como náda e bindu se unem e proporcionam o sucesso no Yoga, sem sombra de dúvida.

III:65.
Com a prática constante de múla bandha se alcança a união de prána e apána, se reduzem consideravelmente as secreções (de urina e excrementos) e incluso os mais velhos rejuvenescem.

III:66.
Quando apána se eleva e alcança a moradia do fogo (manipura chakra), alimenta e intensifica a chama (do fogo interior).

III:67.
Quando apána e o fogo se unem ao prána, quente por natureza, um clarão intensamente abrasador brota no corpo.

III:68-69
Kundaliní adormecida, aquecida por esse abrasamento, desperta. Tal como uma serpente tocada por uma vara, ela se levanta sibilando; e como se entrasse em sua toca, entra na brahmánádí (sushumná, o canal central). Portanto, o yogi deve praticar sempre múla bandha.

GS

Pressionar o períneo com o calcanhar do pé esquerdo. Contrair o esfíncter anal.

3:15. Colocar o calcanhar direito sobre os genitais. Pressionar contra a púbis. Contrair a região abdominal até a coluna vertebral. Este múlabandha elimina a decadência.

3:16. Quem desejar cruzar o oceano da existência deve praticar este mudra em segredo.

3:17. Com múlabandha controla-se váyu. Deve praticar-se cuidadosa e diligentemente.
SS

41.1.Pressionando adequadamente o ânus com o calcanhar, puxe para cima, com força, o Apana Vayu, lentamente pela prática. Isso é descrito como Mula-Bandha – o destruidor da decadência e morte.

42.2.Se, no decorrer da prática dessa Mudra, o Yogi consegue unir o Apana com o Prana Vayu, então torna-se com certeza a Yoni-Mudra.

43.3.Aquele que tem executado a Yoni-Mudra, o que ele não consegue nesse mundo ? Sentado na postura Padmasana, livre de preguiça, o Yogi, deixando o chão, move-se através do ar, pela virtude dessa Mudra.

44.4.Se o sábio Yogi está desejoso em cruzar o oceano do mundo, deixe-o praticar esse bandha em segredo, em um local afastado.

Jalándhara bandha, o fecho que controla as redes prânicas.
III:70.
Jalándhara bandha: (consiste em) contrair a garganta e manter o queixo firmemente contraído em direção (à parte superior do) peito (porém sem toca-lo). O jalándhara bandha destrói a velhice e a morte.

III:71.
Este bandha se chama jalándhara porque contrai a rede (jala) das nádís e detém o fluxo descendente do néctar, que goteja desde o soma chakra, no intercílio, através da cavidade do palato. O jalándhara bandha elimina todas as afecções da região da garganta.

III:72.
Quando se contrai a garganta em jalándhara bandha, o néctar (do soma chakra) não seca no fogo gástrico (manipura chakra) e o prána não se agita (não se desvia do caminho certo).

III:73.
Quando a garganta está firmemente contraída as duas nádís (ídá e pingalá) ficam “mortas” (inativas). Na garganta fica o vishuddha chakra, onde confluem as (nádís que conectam os) dezesseis centros vitais.
(Esses pontos vitais, chamados ádháras são: polegares, tornozelos, joelhos, coxas, períneo, pênis ou clitóris, umbigo, coração, nuca, garganta, língua, nariz, intercílio, frente, cabeça e brahmárandhra).

GS

Contrair a garganta e colocar o queixo contra o peito. Jalandarabandha fecha os dezasseis adhara. Praticado junto com mahamudra, destruói a morte.

3:13. Os seus efeitos foram amplamente comprovados e proporciona excelentes resultados. Quem o praticar durante seis meses certamente alcançará o seu objectivo.

SS

38.1.Tendo contraído os músculos da garganta, pressione o queixo no peito. É dito ser a Jalandhara-Mudra. Até mesmo os deuses consideram-na como inestimável. O fogo da região do umbigo (suco gástrico) bebe o néctar que exala da lótus de mil pétalas. (Visando prevenir que o néctar seja, portanto, consumido), ele deveria praticar esse bandha.

39.2.Através desse bandha, o sábio Yogi bebe o néctar e, obtendo a imortalidade, regozija os 3 mundos.

40.3.Essa Jalandhara-Mudra é quem dá sucesso ao praticante; o Yogi desejoso de êxito deveria praticá-la diariamente.

Bandha traya, a contracao tríplice.

III:74.
Praticando (simultaneamente) uddiyana bandha, múla bandha e jalándhara bandha, faz-se ascender o prána por sushumná.

III:75.
Desta forma, o prána fica imóvel em sushumná e se vence a velhice, a doença e a morte.

III:76.
Os yogis conhecem estes três bandhas que praticavam os grandes siddhas, eles são meios fundamentais para conseguir o sucesso no Hatha Yoga.

Viparíta karaní mudrá, a atitude invertida.
III:77.
Viparíta karaní mudrá: todo o néctar (somarása) que produz a lua celestial (soma chakra) acaba sendo devorado pelo sol. É assim que envelhece o corpo.

III:78.
Existe uma excelente prática (karana) por meio da qual se pode burlar o sol, mas somente a podemos aprender do guru e não pelo estudo teórico dos shástras.

III:79.
Trata-se de viparíta karaní, que mantém o sol, no plexo solar, por cima da lua, sobre o palato; isto deve aprender-se seguindo as instruções do guru.

III:80.
Aquele que pratica diariamente incrementa seu fogo gástrico. Portanto, deve ter sempre comida abundante.

III:81.
Se o yogi reduzir a alimentação, o fogo consumirá rapidamente seu corpo. No primeiro dia deve permanecer por pouco tempo apoiado sobre a (parte posterior da) cabeça (e os ombros), com os pés voltados para cima.

III:82.
Deve-se aumentar a duração da prática de forma gradual, dia a dia. Após seis meses de prática, desaparecem cabelos brancos e rugas. Praticando três horas ao dia, vence-se a morte.

GS

O sol (plexo solar) localiza-se abaixo do umbigo. A lua localiza-se na base do paladar. O processo mediante o qual o sol ascende e a lua descende, chama-se vipa. É um mudra secreto em todos os tantra. Coloca-se a cabeça no solo com as mãos estendidas. Levantam-se as pernas e mantêm-se a postura com firmeza.

3:36. Com a sua prática constante desaparecem a morte e a decadência. O yogui consegue siddhi e não é destruído nem sequer em pralaya (dissolução do universo no final de um período cósmico)
SS

45.1.Colocando a cabeça no chão, deixe-o esticar suas pernas para cima, movendo-as em círculo. Esse é o Viparit-Karana, mantido em segredo em todos os Tantras.

46.2.O Yogi que pratica isso diariamente por 3 horas, conquista a morte, e não é destruído mesmo no Pralaya.

47.3. Aquele que bebe o néctar, torna-se igual aos Siddhas; aquele que pratica esse bandha, torna-se um adepto entre as criaturas.

Vajrolí mudrá, o gesto adamantino.
III:83.
Vajrolí mudrá: até mesmo aqueles que levam uma vida desordenada, sem observar as disciplinas prescritas no Yoga, podem desenvolver os siddhis, poderes paranormais, dominando vajrolí mudrá.

III:84.
Para esta prática se necessitam duas coisas difíceis de se obter: leite (no momento preciso) e uma mulher que se comporte do modo desejado.

III:85.
Aspirando o sêmen (bindu) que se ejacula durante a relação sexual (maithuna), seja o sujeito homem ou mulher, se obtém sucesso na prática de vajrolí.

III:86.
Com cuidado, soprar com força no interior do pênis com a ajuda de um tubo (inserido na uretra), a fim de permitir a passagem do ar (para o interior).
(Precisa-se conseguir primeiramente um cateter fino, de quatorze dedos de comprimento, e inserí-lo na uretra, aprofundando gradativamente a inserção na largura de um dedo a cada dia, até que se introduzem doze dedos, fica de fora um comprimento de dois dedos, que se dobra para cima; a continuação insere-se um tubo mais fino por dentro do anterior e sopra-se com suavidade para limpar a passagem de impurezas; depois se continua absorvendo água através do tubo e progressivamente líquidos cada vez mais densos até, finalmente, absorver o próprio sêmen – primeiro com a sonda e depois sem ela – somente se obterá sucesso se a respiração se mantiver controlada e se dominar o khecharí mudrá.)

III:87.
O bindu que está prestes a ser ejaculado na vagina de uma mulher deve absorver-se com a ajuda de vajrolí mudrá; se a ejaculação já tiver acontecido, deve-se reabsorver o próprio bindu junto com os fluidos vaginais a fim de preserva-lo.
(Durante a ejaculação, a uretra sofre contrações espasmódicas, reflexas e irreprimíveis que expulsam o esperma; o vajrolí mudrá reduz o perigo da ejaculação, diminuindo a sensibilidade dos terminais nervosos da uretra, que reduzem o reflexo ejaculatório sem alterar o desejo sexual.)

III:88.
Desta forma, o yogi preserva seu bindu e vence a morte. Quando se desperdiça o bindu, a morte acontece a seu devido tempo, mas quem o preserva vive uma longa vida.

III:89.
Retendo o bindu com ajuda de vajrolí mudrá, o corpo do yogi emana um agradável aroma. Enquanto o bindu estiver retido no corpo, ele não teme à morte.
(Vajrolí afirma os testículos e tonifica as gônadas, o que aumenta o vigor e a virilidade, enquanto a produção incrementada de hormônios masculinos rejuvenesce o organismo.)

III:90.
O bindu dos homens fica sob o controle da mente, e a vida depende do bindu. Portanto, a mente e o bindu devem ser protegidos por todos os meios.

III:91.
Quem dominar esta prática deve absorver por completo o sêmen junto com os fluidos vaginais da mulher com quem tem relação sexual, através do pênis.

GS

Apoiar as duas mãos no solo. Levantar as duas pernas rectas. A cabeça não deve estar em contacto com o solo. Esta técnica desperta kundalini e dá longevidade.

3:46-48. Esta prática é o cume das práticas de yoga. Facilita a iluminação e aperfeiçoa o yogui. Com ela consegue-se bindu-siddhi (controle sobre o sémen) e, então, pode conseguir qualquer coisa. Mesmo vivendo uma vida submergido de prazeres, o yogui alcança a perfeição com esta prática.

Sahajolí mudrá, o gesto espontâneo.
III:92.
Sahajolí mudrá: sahajolí e amarolí são diferentes variações de vajrolí, dependendo do resultado obtido. É preciso misturar cinzas de esterco com água.

III:93.
Após a prática de vajrolí durante a relação sexual, uma vez finalizada toda atividade, o homem e a mulher sentados confortavelmente, devem esfregar as partes mais nobres de seu corpo (cabeça, frente, olhos, coração, ombros e braços) com esta mistura.

III:94.
Isto se denomina sahajolí e deve ser estimado pelos yogis, pois é um processo benéfico que proporciona a liberação através da experiencia sensual.

III:95.
Esta técnica somente é dominada por aquelas pessoas virtuosas e valentes, que conhecem a verdade e não são em absoluto invejosas.

Amarolí mudrá, o gesto perfeito.
III:96.
Amarolí mudrá: segundo a doutrina secreta dos kapálikas, amarolí consiste em beber a própria urina (amari) uma vez fria, descartando a primeira descarga, por possuir excesso de bílis, e a porção final, por ser muito rala.

III:97.
Quem bebe amari, o cheira e pratica vajrolí diariamente, recebe o nome de praticante de amarolí.

Vajrolí para a yoginí.

III:98.
Misturam-se cinzas com bindu após a prática de vajrolí e se esfregam com esta mistura as partes nobres do corpo, obtendo-se assim a visão divina.

III:99.
Se uma mulher praticar o suficiente como para tornar-se uma experta, se for capaz de absorver o bindu (ejaculado em seu interior) por um homem e o retiver dentro por meio de vajrolí, transformar-se-á em uma yoginí.

III:100.
(Assim) sem dúvida, não se perde nem a mais mínima quantidade de fluxo vital feminino. No corpo (da yoginí) o náda transforma-se em bindu.

III:101.
Se o sêmen (bindu) e o fluido feminino (rájas) permanecerem unidos no interior do corpo mediante vajrolí, consegue-se todo tipo de siddhi.

III:102.
A yoginí que preserva seu rájas mediante uma contração ascendente pode conhecer o passado e o futuro, e alcançar a perfeição em khecharí.

Conclusão.
III:103.
Mediante a prática do Yoga de vajrolí, obtém-se a perfeição do corpo (beleza, graça e força); este tipo de Yoga proporciona mérito (púnya) e, embora coexiste com a experiência sensual, conduz à libertação (moksha).

Kundaliní.
III:104.
Kutilangí, kundaliní, bhujangí, shaktí, íshvarí, kundalí, arundhatí: todas estas palavras são sinônimas.

III:105.
Assim como a porta se abre com a chave, o yogi abre a porta da libertação mediante o Hatha Yoga e o poder de kundaliní.

III:106.
A grande deusa (kundaliní) dorme fechando com sua boca a passagem através da qual se pode ascender ao brahmárandhra (a passagem da energia psíquica pelo “orifício de Brahmá”, no alto da cabeça), o lugar onde não existe dor nem sofrimento.

III:107.
Kundaliní shaktí, que dorme sobre o bulbo (kanda, onde convergem as nádís), proporciona libertação ao yogi e escravidão ao ignorante. Aquele que conhece a kundaliní, conhece o Yoga.

III:108.
Kundaliní se descreve enroscada como uma serpente; aquele que conseguir fazer com que a shaktí se movimente (de múládhára para cima) alcançará a libertação, sem sombra de dúvida.
III:109.
Entre os rios sagrados Gangá e Yamuná está sentada uma jovem viúva praticando tapas; é necessário possuí-la pela força, pois isto conduz à morada suprema de Vishnu (seu esposo, no sahásrara chakra, no alto da cabeça).

III:110.
O sagrado Gangá é ídá e o Yamuná é pingalá; entre ídá e pingalá está a jovem viúva kundaliní.

SS

Vajrondi-Mudra

53.1.Influenciado pela piedade por meus devotos, eu devo agora explicar a Vajrondi-Mudra, o destruidor da escuridão do mundo, e mais secreto entre todos os segredos.

54.2.Mesmo seguindo todos os seus desejos, e sem se adaptar às regras da Yoga, uma pessoa do lar pode tornar-se emancipada, se praticar a Vajrondi-Mudra.

55.3.Essa prática do Vajrondiyoga oferece emancipação mesmo quando a pessoa está submergida na sensualidade; logo, deve ser praticada pelo Yogi com grande atenção.

56.4.Primeiro, deixe que o habilidoso praticante introduza dentro de seu próprio corpo, de acordo com os métodos adequados, as células germinativas do órgão feminino da geração, pela sucção através do tubo da uretra; contendo seu próprio sêmen, deixe-o praticar a cópula. Se, por acaso, o sêmen começa a mover-se, permita-o interromper sua emissão através da prática da Yoni-Mudra. Deixe que ele coloque o sêmen no duto esquerdo, e posteriormente pare o intercurso. Depois de um tempo, deixe-o continuar novamente. De acordo com a instrução de seus predecessores a através da pronúncia do som HUM, deixe-o puxar, através da contração do Apana Vayu, as células germinativas do útero.

57.5.O Yogi, adorador dos pés de lótus de seu Guru, deveria, visando obter rápido sucesso na Yoga, beber o leite ou néctar dessa forma.

58.6.Saiba que o sêmen é como a Lua, e as células germinativas, o emblema do Sol; permita que o Yogi faça a união deles em seu próprio corpo, com grande cautela.

59.7.Eu sou o sêmen, Shakti é o fluido germinativo; quando ambos são combinados, então o Yogi alcança o estado de êxito, e seu corpo torna-se brilhante e divino.

60.8.A ejaculação do sêmen é a morte; preservá-lo interiormente é vida; logo, permita que o Yogi preserve seu sêmen com grande cuidado.

61.9.Realmente, realmente, os homens nascem e morrem por intermédio do sêmen; conhecendo isso, permita que o Yogi sempre pratique a contenção de seu sêmen.

62.10. Através de grande esforço, o sucesso na preservação do sêmen é obtido, o que, então, não poderia ser concluído com êxito nesse mundo ? Por intermédio da grandeza dessa contenção, uma pessoa torna-se como eu na glória.

63.11.  O Vindu (sêmen) causa o prazer e a dor de todas as criaturas viventes nesse mundo, que estão apaixonadas, e estão sujeitas a morte e declínio. Para o Yogi, essa preservação do sêmen é o melhor de todas as Yogas e é isso que dá a felicidade.

64.12.  Ainda que mergulhado em prazeres, os homens obtêm poderes através de sua prática. Por intermédio da força de sua prática, ele se torna um adepto na estação correspondente, em sua vida presente.

65.13. O Yogi certamente obtém dessa prática todos os tipos de poderes, ao mesmo tempo que desfruta de todos os inumeráveis prazeres do mundo.

66.14.  Esse Yoga pode ser praticado ao lado de muito prazer; logo, o Yogi deveria praticá-lo.

67.15.  Existem duas modificações do Vajrondi, chamada Sahajoni e Amarani. Através de todas as formas, permita que o Yogi preserve seu sêmen.

68.16.   Se na hora da cópula, o Vindu for forçosamente emitido, e acontecer uma união do Sol e da Lua, então deixe-o absorver essa mistura através do tubo do órgão masculino (uretra). Esse é Amarani.

69.17. O método pelo qual o Vindu, no ponto de emissão, pode ser detido, através da Yoni-Mudra, é chamado de Sahajoni. Isso é mantido em segredo em todos os Tantras.

70.18.  Embora, finalmente, a ação deles (Amarani e Sahajoni) seja a mesma, existem diferenças emergentes devido a variação de nomenclatura. Permita que o Yogi pratique-as com a maior atenção e perseverança.

71.19.   Por amor aos meus devotos, tenho revelado essa Yoga; isso deveria ser guardado em segredo com o maior cuidado, e não ser dado a todos.

72.20.  Esse é o mais secreto de todos os segredos; logo, permita que o prudente Yogi mantenha-o em segredo o máximo possível.

73.21.   Quando no momento de suspender a urina, o Yogi deve puxa com força, através de Apana-Vayu, e mantendo-a no alto, descarregue-a bem vagarosamente; e praticando isso diariamente, de acordo com as instruções do Guru, ele obtém o Vindu-Siddhi (poder sobre o sêmen), que confere grandes poderes.

74.22.   Aquele que pratica isso diariamente, de acordo com as instruções de seu Guru, não perde seu sêmen, estaria ele a desfrutar centenas de mulheres nessa hora.

75.23.   Oh Parvati ! Quando o Vindu-Siddhi é obtido, o que mais não pode ser realizado ? Até mesmo a inacessível glória da minha cabeça divina pode ser obtida através disso.

Shaktíchalana mudrá, sacudindo o poder serpentino.
III:111.
Shaktíchalana kriyá: deve-se despertar a serpente adormecida (kundaliní) segurando firmemente seu rabo; então, shaktí abandona seu sono e se ergue com força.

III:112.
Depois de inalar por pingalá, a adormecida serpente deve ser manejada mediante a técnica paridhána, a fim de move-la diariamente durante uma hora e meia, tanto ao amanhecer como ao entardecer.
(A técnica paridhána é similar ao nauli, pois consiste em mover os músculos abdominais de esquerda à direita, de direita à esquerda e em espiral.)

GS

A grande deusa kundalini, a energia do e, a átma-Shakti, dorme no muladhara chakra. Tem a forma de uma serpente enroscada com três voltas e meia.

3:50. Enquanto permaneça adormecida no corpo, o jiva é apenas um animal, e não se produz o autêntico conhecimento mesmo que se pratique durante dez milhões de anos.

3:51. Da mesma forma que uma porta se abre com uma chave, a porta de Brahma abre-se despertando kundalini mediante o hatha yoga.

3:52. Colocar uma manta pelas costas (à altura dos rins) e sentar-se num lugar oculto, não despido, numa habitação exterior, para praticar Shakticalana.

3:53. A peça deverá medir cerca de 20 cm por quatro dedos de largura. Deverá ser suave, branca e de um tecido de qualidade. Deverá ser firmemente mantida no lugar através do katisutra (uma cinta que se ata na anca).

3:54-55. Cobrir o corpo com cinzas. Sentar-se em siddhásana. Inalar prána-váyu por ambas as fossas nasais e uni-lo firmemente com apana. Contrair o recto com cuidado mediante ashvinimudra até que o váyu penetre na sushumna e manifeste claramente a sua presença.

3:56. Retendo a respiração mediante kumbhaka, a serpente kundalini sente-se afogada, desperta e ascende até brahmarandhra.

3:57. Yonimudra não se completa nem se aperfeiçoa sem Shakticalana. Primeiro pratica-se Shakticalana e depois aprende-se yonimudra.

3:58. Oh, Chanda Kapali! Assim é Shakticalana. Pratica diariamente e com empenho.

3:59. Este mudra deve manter-se em segredo, pois elimina a decadência e a morte. Portanto, o yogui que deseje a perfeição deverá praticá-lo.

3:60. O yogui que o pratique diariamente chegará a ser um siddha, alcançará o vigraha-siddhi e curará todas as suas enfermidades.

SS

76.1.Permita que o sábio Yogi puxe, com força e firmeza, a deusa Kundalini adormecida no Adhara Lótus, através dos meios de Apana Vayu. Essa é a Mudra Shakti-Chalan, a que confere todos os poderes.

77.2.Aquele que pratica essa Shakti-Chalan diariamente, obtém o aumento da vida e destruição das doenças.

78.3.Cessando o sono, a serpente (Kundalini) por si mesma sobe; logo, deixe que o Yogi desejoso de poder pratique isso.

79.4.Aquele que sempre pratica essa eficiente Shakti-Chalan, de acordo com as instruções de seu Guru, obtém o Vigraha-Siddhi, que confere todos os poderes da anima e não tem medo da morte.

80.5.Aquele que pratica o Shakti-Chalan peculiarmente por 2 segundos, e com atenção, está muito próximo ao sucesso. Essa Mudra deveria ser praticada pelo Yogi na postura apropriada.

Essas são as 10 Mudras que nunca teve ou deverá ter comparação; através da prática de qualquer uma delas, uma pessoa torna-se um Siddha e obtém sucesso.
Kanda, o centro do corpo sutil.
III:113.
O centro do corpo sutil (kanda, localizado atrás do umbigo) tem uma extensão de doze dedos. Está situado por cima do ânus, a uma distância de quatro dedos e tem um aspecto delicado, de cor branca, como coberto por um pedaço de pano branco.

III:114.
Sentado na postura vajrásana seguram-se os pés perto dos tornozelos e pressionam-se (os calcanhares) sobre o kanda.

III:115.
Em vajrásana, depois de movimentar a kundaliní, o yogi deve praticar bhástriká kúmbhaka, a fim de despertá-la rapidamente.

III:116.
Depois deve contrair o sol para obrigar a kundaliní a ascender. Embora se sinta chegar às portas da morte, o yogi não sente medo de nada.
[O sol, súrya, é a região do abdômen, perto do umbigo, que se contrai por meio de uddiyana bandha.]

III:117.
Quando se move kundaliní sem medo por aproximadamente uma hora e meia, ela entra no canal sushumná e ascende um pouco por ele.

III:118.
Desta forma, kundaliní deixa livre a entrada de sushumná, e é puxada sem esforço para cima pela corrente de prána.

yonimudra

SS
Sentar-se em siddhásana. Tapar os ouvidos com os polegares, os olhos com os indicadores, as fossas nasais com os dedos médios, o lábio superior com os anelares e o inferior com os mindinhos. Inalar prána-váyu mediante kakimudra e uni-lo a apana-váyu. Visualizar os seis chakra em ordem (ascendente) até que desperte kundalini. Repetir os mantra hum e hamsa. Levar a Shakti junto a jiva, no sahasrara chakra. Cheio de Shakti, unida com o grande Shiva, meditar no supremo gozo. Contemplar a união de Shiva e Shakti neste mundo. Completamente extasiado, o yogui compreende que ele é Brahma. Esta prática é um grande segredo, difícil de realizar inclusive para os deva. Quem aperfeiçoa esta prática entra realmente em samádhi.

3:43-44. Com esta prática, o yogui não é afectado pelas acções (mais reprováveis), como matar um Brahman ou um feto, beber alcool ou contaminar o leito do guru. Todos os pecados, tanto os mais graves como os mais leves, são completamente destruídos graças a esta prática. Portanto, quem aspirar à libertação deverá efectuar esta prática

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