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	<title>Yoga: Auto-conhecimento na prática</title>
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		<title>Yoga: Auto-conhecimento na prática</title>
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		<title>Mudança de endereço</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 15:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Avelino</dc:creator>
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		<title>Origens do Yoga &#8211; Georg Feuerstein</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Dec 2008 23:34:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Avelino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Yoga Arcaico: Os muitos textos do que se pode chamar de “Yoga Arcaico” ou “Yoga Védico” são os próprios quatro Vedas – Rig-Veda, Yajur-Veda, Sáma-Veda e Atharva-Veda &#8211; e os textos rituais dos Brahmanas e Áranyakas, baseados nos quatro hinários. O Rig-Veda, que um número cada vez maior de eruditos já data do terceiro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=122&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O Yoga Arcaico</strong>: Os muitos textos do que se pode chamar de “Yoga Arcaico” ou “Yoga Védico” são os próprios quatro Vedas – Rig-Veda, Yajur-Veda, Sáma-Veda e Atharva-Veda &#8211; e os textos rituais dos Brahmanas e Áranyakas, baseados nos quatro hinários. O Rig-Veda, que um número cada vez maior de eruditos já data do terceiro e do quatro milênios a.C., é uma impressionante coletânea de hinos compostos por videntes (rishi) cujo olhar interior atravessava o mundo visível (material) e penetrava os mundos invisíveis (sutis). Por milhares de anos essa grande obra foi transmitida oralmente com toda fidelidade até ser por fim escrita, no século XIV. A correta recordação dos hinos exigia uma memória incrível – arte em que todos os povos antigos parecem ter se superado. Como o Rig-Veda representa a parte mais sagrada de todo o cânone dos textos sagrados hindus, os brahmins guardavam-no cuidadosamente dos olhos e ouvidos dos não-iniciados. Com efeito, foi só no século XIX que estrangeiros puderam lê-lo. Nessa época, até mesmos os brahmins já haviam se esquecido do sentido de certas palavras arcaicas e em grande medida ignoravam o significado mais profundo dos mais de dez mil versículos desse hinário.Por meio dos esforços da erudição moderna, cujos pioneiros foram grandes estudiosos europeus como Paul Deussen e Max Muller, o significado do Rig-Veda tem sido redescoberto aos poucos. Esse trabalho de resgate ainda não terminou. Com efeito, o sentido mais profundo do Rig-Veda e dos outros hinários ou “coletâneas” (samhitá) védicas ainda está, em grande parte, perdido para nós. Esse fato foi posto em evidência por Sri Aurobindo, pai do moderno Yoga Integral, que aplicou o seu profundo conhecimento de Yoga à interpretação da herança védica.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><strong> O Yoga Pré-Clássico</strong>: Os ensinamentos do Yoga Pré-Clássico sucederam aos Vedas (c.4500-2500 a.C.) mas precederam o famoso Yoga-Sútra de Patañjali (c.100-200 d.C), que veio a ser reconhecido como a expressão filosófica clássica do Yoga. Os textos da era pré-clássica ensinam diversas versões do Sámkhya-Yoga, segundo o qual a realidade última é única e singular, mas se manisfesta em sucessivos níveis de existência que terminam com o cosmo físico que conhecemos. Essa idéia já se encontra no Rig-Veda, mas está desenvolvida em toda a sua plenitude nas Upanishads. Nessas escrituras sagradas de caráter esotérico, encontramos pela primeira vez uma enunciação clara das doutrinas do não-dualismo (advaita) combinadas às do emanacionismo: universo da multiplicidade emana em estágios definidos da Singularidade transcendente. Com o tempo, isso conduziu á forma clássica do Sámkhya (que mapeia os estágios desse processo de emanação e as diversas categorias a que se dá origem). Conquanto os primeiros Upanishads, como o Brihad-Áranyaka, o Chándogya e o Taittirîya-Upanishad, não usem ainda o termo yoga no sentido técnico que adquiriu posteriormente, eles pressupõem evidentemente uma familiaridade com a disciplina espiritual que esse termo veio a significar em épocas posteriores.O mais antigo texto desse gênero que conhece a palavra yoga em seu sentido técnico é o Katha-Upanishad, composto na era pré-budista. Esse texto delineia as práticas e idéias principais do Yoga. Existem várias traduções razoavelmente confiáveis desse Upanishad, especialmente as de S. Radhakrishnan e R.E. Hume, bastante fáceis de se obter. Como esse texto, à semelhança de tantos outros textos do Yoga e do Vedánta é às vezes um pouco obscuro, os estudiosos podem consultar também o livro perspicaz de Krishna Prem. Enquanto se trabalha com o Katha-Upanishad, convém estudar também o Shvetáshvatara-Upanishad e o Maitráyaníya-Upanishad, ambos um pouco mais novos e que, portanto, evidenciam o estágio seguinte na evolução do Yoga. Também neste caso, as traduções de Radhakrishnan e Hume são bons pontos de partida. O texto principal do Yoga Pré-Clássico é o Bhagavad-Gitá, tão lido e conhecido, que constitui o “Novo Testamento” do Hinduísmo. Poucas pessoas sabem que ele é tradicionalmente considerado um Upanishad, ou seja, uma doutrina secreta que foi revelada e não composta por um indivíduo humano. Tecnicamente, o Gitá faz parte do Mahábhárata, que é uma das duas grandes epopéias nacionais da Índia. Embora existam diversas traduções desse belo texto, algumas dentre as mais populares deixam muito a desejar. Posso recomendar as versões de Sarvepalli Radhakrishnan e de Krishna Prem (que escreve do ponto de vista de um praticante). Quem quiser conhecer um excelente comentário posterior (poético e yogue) sobre o Gitá pode consultar o Jnáneshvará de Jñánadeva, do século XIII, que é uma verdadeira jóia. Foi composto em língua márati e está disponível agora numa tradução inglesa confiável e legível, de autoria de V.G. Pradhan. Para realmente compreender o Gîtâ, os estudiosos devem, sem sombra de dúvida, familiarizar-se com o contexto cultural e histórico mais amplo no qual surgiu. Também há textos pré-clássicos contidos em outras seções do Mahábhárata. São exemplos o Moksha-Dharma e o Anu-Gitá. Infelizmente, essas sessões não são facilmente acessíveis, embora os estudiosos possam compulsar o The Beginnings of Indian Philosophy de F. Edgerton, que traz excertos do Moksha-Dharma. Essa seção inteira e também o Anu-Gitá que foram traduzidos com o restante da epopéia por K.M. Ganguli e também M.N. Dutt. À semelhança do Mahábhárata, também a epopéia do Rámáyama trata, sobretudo de ensinamentos que giram em torno do valor fundamental do dharma, ou seja, da moral e da conduta virtuosa. Além disso, apresenta ensinamentos yogues sob a denominação de tapas, “ascese”.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><strong>O Yoga Clássico</strong>: A doutrina do Yoga Clássico está codificada no breve Yoga-Sútra de Patañjali e nos vários comentários a esse texto, escritos em sânscrito. O Yoga Clássico é chamado yoga-dárshana, o sistema filosófico ou ponto de vista do Yoga. Existem muitas paráfrases mas poucas boas traduções da obra de Patañjali, que é difícil de entender, pois pressupõe uma certa quantidade de conhecimento do pensamento e da cultura indiana. Não obstante, o estudo desse texto pode ser extremamente compensador. Foi isso que eu fiz com meus alunos num curso de uma aula por semana que durou nove meses, e eles evidentemente tiravam bom proveito desse exercício, tanto no que diz respeito à compreensão do sistema de Patañjali quanto à teoria e a prática do Yoga em geral. A tradução de James H.Wood é boa, posto que um tanto técnica; inclui também os dois principais comentários em sânscrito, o de Vyása e o de Vácaspati Mishra. Do ponto de vista prático, há também o The Essence of Yoga de Bernard Bouanchaud e, de B.K.S. Iyengar, o Light on the Yoga Sútras of Patañjali e o Light on Ashtanga Yoga. Para quem quiser ler um estudo erudito que defende uma interpretação não-dualista do Yoga-Sútra, (The Integrity of the Yoga Dar’sana de Ian Whicher). Muitos comentários sobre o Yoga-Sûtra foram escritos em sânscrito, e todos são bastante técnicos. Outros dois importantes comentários em sânscrito estão disponíveis em língua inglesa: o Yoga-Várttika de Vijñána Bikshu, habilmente traduzido por T.S. Rukmani, e o Yoga-Bháshya-Vivarana de Shankara Bhagavatpáda, traduzido independemente por T.S. Rukmani e Trevor Legget. Shankara foi o grande expoente do Vedânta Advaita (não-dualista), é um texto fascinante que contém muitas idéias originais.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><strong>O Yoga Pós-Clássico</strong>: O Yoga Pós-Clássico manisfesta-se num grande número de textos das seguintes categorias:</p>
<p class="MsoNormal">• A literatura tântrica, vasta e altamente esotérica, inclui os Ágamas, os Tantras e os Shástras, bem como a vasta literatura do Shaivismo da Caxemira e do Shaiva-Siddhânta do Sul da Índia, além dos escritos dos Siddhas em tamil. Dentre os Tantras propriamente ditos, os praticantes de Yoga devem estudar pelo menos o Kula-Arnava-Tantra e o Mahánirvána-Tantra, mais recente mas bastante significativo. Obra importante, escrita não em sânscrito mas em tamil, é  Tiru-Mantiram de Tirumûlar.</p>
<p class="MsoNormal">• Os Puránas, coletâneas enciclopédicas da sabedoria tradicional, que abarcam de tudo, desde a cosmologia e a filosofia até histórias de reis e de santos. Contêm muitas lendas e ensinamentos yogues. Os seguintes são especialmente importantes: o Bhagavata-Purána (também chamado Shrímad-Bhágavata), o Shiva-Purána e o Devi-Bhágavata-Purána (uma obra tântrica).</p>
<p class="MsoNormal">• Os chamados Yoga-Upanishads (cerca de vinte textos), a maioria dos quais foi composta depois de 1000 d.C. Entre eles incluem-se três obras de peso: o Darshana-Upanishad, o Yoga-Shikhá-Upanishad e o Tejo-Bindu-Upanishad.</p>
<p class="MsoNormal">• Os textos do Hatha-Yoga, como a Goraksha-Samhitá, a Hatha-Yoga-Pradípiká, a Hatha-ratna-Avalí, a Gheranda-Samhitá, a Shiva-Samhitá, o Yoga-Yájnavalkya, o Yoga-Bíja, o Yoga-Shástra de Dattátreya, o Sat-Karma-Samgraha e  Shiva-Svarodaya, todos disponíveis em inglês.</p>
<p class="MsoNormal">• Os escritos vedânticos, como o volumoso Yoga-Vásishtha, que ensina o Jñána-Yoga, e seu tradicional resumo, o Laghu-Yoga-Vásishtha, ambos disponíveis em versões em inglês.</p>
<p class="MsoNormal">• A literatura do bhakti-márga ou caminho devocional, que assume especial importância entre os Vaishnavas (adoradores de Vishnu) e os Shaivas (adoradores de Shiva). Existe um número considerável de textos bhákticos tanto em sânscrito quanto em tamil, bem como em vários outros vernáculos do subcontinente indiano. O Bhakti-Sûtra de Nárada, o Bhakti-Sútra de Shándilya e o extenso Bhágavata-Purána, que é um relato detalhado (mitológico) do nascimento, vida e morte de Krishna e contém um grande número de histórias de yogins e ascetas, todas maravilhosas e inspiradoras. Essa bela obra contém também o Uddháva-Gitá, a última instrução esotérica de Krishna ao sábio Uddháva. A adoração da Deusa a partir do ponto de vista tântrico é o tema central do Devi-Bhágavata-Purána, que também deve ser estudado. Além disso, os estudiosos sinceros do Yoga devem também ler e ponderar os grandes textos yogues associados às diversas escolas do Budismo e do Jainismo. O encontro com o mundo do Yoga por meio de sua literatura será difícil para o praticante, por diversos motivos: os textos, mesmo traduzidos e anotados, na maioria das vezes são de difícil compreensão e exigem muita concentração e perseverança. Não temos de nos tornar eruditos, mas nosso estudo (svâdhyâya) nos mostrará o que é ser um verdadeiro yogin e quais são os magníficos instrumentos que o Yoga põe à nossa disposição. Aumentará também nosso autoconhecimento e fortalecerá nosso compromisso com a a prática.</p>
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		<title>Questão de foco:</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Dec 2008 13:28:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Avelino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando a Nasa iniciou o lançamento de astronautas, descobriu que as canetas não funcionariam com gravidade zero. Para resolver este enorme problema, contrataram a Andersen Consulting, hoje Accenture. Empregaram 12 milhões de dólares para sanar o problema. Conseguiram desenvolver uma caneta que escrevesse com gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d&#8217;água, em praticamente qualquer superfície [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=121&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando a Nasa iniciou o lançamento de astronautas, descobriu que as canetas não funcionariam com gravidade zero.<br />
Para resolver este enorme problema, contrataram a Andersen Consulting, hoje Accenture.<br />
Empregaram 12 milhões de dólares para sanar o problema.<br />
Conseguiram desenvolver uma caneta que escrevesse com gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d&#8217;água, em praticamente qualquer superfície incluindo cristal e em variações de temperatura desde abaixo de zero até +300ºC.</p>
<p>Os russos foram mais econômicos, usaram lápis.</p>
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		<title>Yoga e evolução</title>
		<link>http://purusha.wordpress.com/2008/11/28/yoga-e-evolucao/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 Nov 2008 21:44:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Avelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Cuidado para não se deixar seduzir por uma leitura ocidentalizada da tradição do Yoga. A idéia mais próxima de evolução que a tradição indiana predica é o &#8220;parinama&#8221;, que expressa a inconstância das formas no mundo material. Na literatura hindu, um cidadão pode morrer humano e nascer animal ou inseto. O parinama pressupõe mudança das [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=119&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="para">Cuidado para não se deixar seduzir por uma leitura ocidentalizada da tradição do Yoga.</p>
<p>A idéia mais próxima de evolução que a tradição indiana predica é o &#8220;parinama&#8221;, que expressa a inconstância das formas no mundo material. Na literatura hindu, um cidadão pode morrer humano e nascer animal ou inseto. O parinama pressupõe mudança das formas, mas não necessariamente para atender a um desígnio superior ou para buscar uma perfeição idealizada.</p>
<p>O Yoga é o método adotado pelo Estado Indiano na Educação para converter suas crianças em &#8220;siddhas&#8221; (perfeitos). E siddha é a condição da pessoa que revela a sua perfeição natural (sahajasiddhiH). Naturalmente não estamos nos referindo à perfeição das formas, mas à sinceridade e autenticidade das ações.</p>
<p>Então podemos afirmar que não se deve dizer que o Yoga é &#8220;acelerador evolutivo&#8221;, pois nem ele acelera coisa alguma, nem tampouco o yogi busca qualquer tipo de &#8220;evolução&#8221;.</p>
<p>Antes que me ataquem pelos detalhes das palavras que utilizo, chamo a sua atenção para o fato de que, em termos de Ciência, a palavra &#8220;evolução&#8221; designa o conjunto de adaptações ou especializações pelas quais passa um organismo, e que asseguram a ele uma melhor adequação ao meio em que vive.</p>
<p>O Yoga não se destina à transformação do corpo, mas à realização de nossa natureza interior (svadharma), o que acaba por nos permitir viver melhor nesse mesmo corpo. Calmamente, sem pressa.</p>
<p>Dizendo de outra maneira, não estamos evoluindo quando buscamos nos tornar mais perefeitamente aquilo que já somos potencialmente. O desabrochar da semente, ou o amadurecimento do fruto, não se confunde com um processo evolutivo &#8211; que mudaria a sua natureza intrínseca.</p>
<p>A vida é um discurso, uma incessante sucessão de palavras. A razão aprisiona cada indivíduo numa teia de relações.</p>
<p>O Yoga transforma a vida em poesia da melhor qualidade. Por isso os sábios hindus eram chamados de &#8220;poetas&#8221; (kavayaH).</p></div>
<div class="para"></div>
<div class="para"><strong><em>Carlos Eduardo, professor de sânscrito e cultura indiana.</em></strong></div>
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		<title>Yoga e Espiritismo</title>
		<link>http://purusha.wordpress.com/2008/11/07/yoga-e-espiritismo/</link>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 21:23:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Avelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O Espiritismo é o que temos de mais parecido, no Ocidente, com as tradições preservadas na Índia. Isso é particularmente válido se nos referirmos mais especificamente à região dos Himalaias (Garhwali, Kumaeoni, Nepali e Tibetanos). Há, no entanto, uma certa dificuldade em conciliar esses corpos culturais, em especial em razão da rejeição que o Espiritismo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=117&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Espiritismo é o que temos de mais parecido, no Ocidente, com as tradições preservadas na Índia. Isso é particularmente válido se nos referirmos mais especificamente à região dos Himalaias (Garhwali, Kumaeoni, Nepali e Tibetanos).</p>
<p>Há, no entanto, uma certa dificuldade em conciliar esses corpos culturais, em especial em razão da rejeição que o Espiritismo Kardecista apresenta, em suas obras, em relação a tudo aquilo que não seja a mensagem do Evangelho cristão.</p>
<p>Quando o Espirito &#8220;Emmanuel&#8221;, pela pena do saudoso Chico Xavier (não me recordo o nome do livro, mas qualquer espírita sabe qual é), enuncia que antes de Jesus Cristo não havia caridade, humildade, bondade sincera e outras qualidades essenciais para o bom espírita &#8211; usando como ilustração de seu argumento o Egito, a Índia, a Mesopotâmia, etc. fica muito claro que alguns espíritas rejeitam a validade dessas antigas culturas como referência para a boa espiritualidade.</p>
<p>No entanto, o espiritismo também tem defensores da boa diplomacia com a Índia desencarnada. As obras atribuídas ao espírito &#8220;Ramatis&#8221; partem da premissa de que há núcleos espíritas no mundo espiritual baseados no Hinduísmo &#8211; ainda que segundo esse segmento, também esses espíritos indianos reconhecem a supremacia da palavra de Jesus Cristo sobre as tradições do Oriente.</p>
<p>Quanto ao Yoga, em si, ainda que não seja uma norma a sua prática pelos espíritas, ele ofereceu a esse movimento uma contribuição inestimável. Para começar, a nomenclatura espírita utiliza termos da tradição tântrica do Yoga, em especial reconhecendo os &#8220;chakras&#8221;, o conceito de &#8220;karma&#8221; (reinterpretado, é claro), a idéia do &#8220;prana&#8221; e a importância do silêncio e da meditação. As práticas de controle respiratório também são essenciais à boa mediunidade.</p>
<p>Portanto, não há porque não aproximar mais o Yoga do Espiritismo. Não sei quantos yoginas vão se entusiasmar com a cultura espírita, mas certamente um pouco da prática de Yoga não vai fazer mal a médium nenhum.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/purusha.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/purusha.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/purusha.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/purusha.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/purusha.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/purusha.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/purusha.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/purusha.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/purusha.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/purusha.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/purusha.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/purusha.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/purusha.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/purusha.wordpress.com/117/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=117&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Dainsu</media:title>
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		<title>Como surgem as instabilidades na mente? &#8211; por Daniel Nodari</title>
		<link>http://purusha.wordpress.com/2008/10/31/como-surgem-as-instabilidades-na-mente-por-daniel-nodari/</link>
		<comments>http://purusha.wordpress.com/2008/10/31/como-surgem-as-instabilidades-na-mente-por-daniel-nodari/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 13:47:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Avelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia do yoga]]></category>
		<category><![CDATA[ahankara]]></category>
		<category><![CDATA[antahkarana]]></category>
		<category><![CDATA[buddhi]]></category>
		<category><![CDATA[chitta]]></category>
		<category><![CDATA[ego]]></category>
		<category><![CDATA[inteligencia]]></category>
		<category><![CDATA[manas]]></category>
		<category><![CDATA[vrttis]]></category>

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		<description><![CDATA[Palavras chaves: Ahámkara (noção do eu, consciência de si, ego) Buddhi (inteligência superior,  intelecto) Chitta (aspecto superior mente) Indriya (os cinco órgãos dos sentidos sensoriais) Manas (mente, pensamento) Nirodhah (supressão) Vritti (instabilidade mental ou profusão de pensamentos) A meditação deveria vir naturalmente, como resultado da serenidade da mente, como causa da prática do Sama (controle [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=112&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Palavras chaves:<br />
Ahámkara (noção do eu, consciência de si, ego)<br />
Buddhi (inteligência superior,  intelecto)<br />
Chitta (aspecto superior mente)<br />
Indriya (os cinco órgãos dos sentidos sensoriais)<br />
Manas (mente, pensamento)<br />
Nirodhah (supressão)<br />
Vritti (instabilidade mental ou profusão de pensamentos)</p>
<p>A meditação deveria vir naturalmente, como resultado da serenidade da mente, como causa da prática do Sama (controle da mente), Dama (controle dos sentidos), Uparati (controle dosobjetos dos sentidos)  e Pratyahara (abstração dos sentido). &#8211; Swámi Sivánanda</p>
<p>Falamos tanto em Pátañjali e principalmente no seu mais famoso sútra I:2: Yogash chitta vritti nirodhah, Yoga é a supressão da instabilidade da consciência. Muitas traduções e interpretações sobre este aforismo já foram feitas e a idéia deste texto não é fazer mais uma tradução ou interpretação, o foco principal consiste em analisar um fragmento, o fragmento de como são gerados os vrittis. Mas para que a idéia principal do texto possa ser trabalhada é necessário que se faça pequenos comentários sobre este sútra.</p>
<p>Para deixar a tradução ainda mais completa, tal sútra poderia ser traduzido e interpretado como: o processo de união (yogash) acontece quando toda a instabilidade (vritti) na consciência (chitta) for cessada (nirodhah). Entenda-se a palavra Yoga como “união” ou uma técnica que gera um “processo de união”.</p>
<p>Yoga é uma prática que promove uma tríplice união no ser humano. O primeiro processo de união acontece consigo mesmo, processo de autoconhecimento. O segundo processo de união acontece através da união com os outros seres vivos, só após a compreensão de si mesmo é que se iniciará a compreensão dos outros seres vivos. E o terceiro processo de união acontece quando a consciência do sádhaka (praticante) une-se com a consciência cósmica, com a totalidade, quebrando a dualidade entre púrusha e prakriti, e entre o observador e o objeto observado.</p>
<p>Nirodhah é a supressão dessas instabilidades, veja que optamos por supressão e não por repressão. Repressão é o ato de reprimir ou impor algo e quando algo é imposto ou reprimido, a tendência é que venha a se rebelar. Caso você reprima seus pensamentos, você corre o risco de nunca conseguir cessar a instabilidade da mente, pois a sua mente e os seus pensamentos estarão se rebelando contra você. A supressão é fazer com que se extingam as instabilidades de forma gradual.</p>
<p>Vritti pode ser traduzido das mais diversas formas, mas sempre expressando a mesma idéia: instabilidade, turbulência, modificação, movimento, idéias, vortéx, fenômenos e mudanças que acontecem constantemente em chitta (aspecto superior da mente).</p>
<p>Vrittis são gerados por cincos caminhos, portas de acesso ou vias de conexão com o mundo exterior. Essa via de acesso chama-se indriya, os cinco sentidos sensoriais.</p>
<p>Manas (mente) atuará inicialmente através da presença dos órgãos sensoriais, assim como as outras estruturas cognitivas (buddhi e ahámkara) estão diretamente associadas umas com as outras. Os órgãos sensoriais, portanto, serão o início de toda a atividade mental e esta atividade mental terá como substrato final a produção do vritti. Segundo Pátañjali, “a meditação elimina tais vrittis”, Dhyána heyás tad vrttayah, II-11.</p>
<p>Indriyas se conectam com manas, que se conecta com buddhi, que se conecta com ahámkara, ou seja, chitta e indriya funcionam ativos e constantemente. Lembrando que chitta é o aspecto superior da consciência que engloba manas, buddhi e ahámkara.</p>
<p>Os cinco órgãos dos sentidos, atividades sensoriais ou faculdades sensoriais são: srotra (audição), ghrána (olfato), chakshu (visão), rasana (paladar) e spárshana (tato). Neste conjunto, recebem o nome de Jnánendriya, órgãos dos sentidos que geram o conhecimento (jnána).</p>
<p>Indryia é a conexão do mundo externo com o mundo interno, a relação de objetos com o sujeito. Sendo assim, as instabilidades na consciência nada mais são do que uma projeção do mundo exterior em forma de pensamentos, como se trouxéssemos o mundo para dentro de nossa cabeça, só que na forma de pensamentos. Toda a agitação do mundo, a inquietação das pessoas, vozes de pessoas, barulho do trânsito, luzes e imagens de outdoors, o cheiro da poluição, a visão da miséria e pobreza, fenômenos naturais como ventos, chuvas, terremotos, etc., todas essas turbulências ficam impressas dentro da nossa mente, na mesma freqüência que se encontram no mundo. A percepção de agitação gera agitação na mente, a visão de confusão gera confusão nos pensamentos, e assim por diante&#8230;</p>
<p>O mesmo acontece todos os outros órgãos sensoriais. Os sons, por exemplo, além de servirem de identificadores sonoros dos objetos, também alteram diretamente os nossos estados emocionais. Lembranças do passado, sentimentos bons ou ruins vêm à tona através da energia do som. Isso que nem estamos comentando sobre os efeitos dos mantras (kirtans e bhajans) que atuam diretamente no nosso psiquismo e dos bíja mantra que atuam nos chakras localizados no prána máyá kosha (corpo ilusório composto por prána ou corpo sutil).</p>
<p>Chitta é o aspecto superior da mente. Chitta se divide em manas (mente), buddhi (intelecto) e ahámkara (ego, noção da própria existência). O termo chitta, exposto no contexto do Rája Yoga de Pátañjali, corresponde ao Antahkarana no contexto do Vedanta. Antahkarana é o psiquismo, instrumento interior, assim como mente, intelecto, ego e a mente subconsciente. É responsável pelas experiências físicas e psíquicas do ser humano.</p>
<p>Smriti (memória) é um dos aspectos funcionais de chitta. É através da memória e da associação de um pensamento com outros pensamentos que ocorre a instabilidade de pensamentos na consciência. Armazenamos informações tanto de forma consciente como de forma inconsciente, a maioria das impressões marcadas no nosso subconsciente foram armazenadas sem que tomássemos consciência do processo. Ou seja, acumulamos tantas informações advindas dos cincos sentidos sensoriais que nem é possível perceber a velocidade de informações armazenadas na memória.</p>
<p>Manas é quem tem o primeiro contato com as informações recebidas pelo mundo externo. Tudo que é visto, cheirado, escutado, degustado e sentido passa por manas. Manas codifica as informações geradas por indriya transformando-as em namah (nome) e rupa (forma). Após a identificação da informação no plano mental, inicia-se processo de formação dos vrittis.</p>
<p>Dando um exemplo bem prático de como manas percebe as informações: ao ouvir o latido de um cachorro a mente automaticamente reafirma a informação dizendo: “isso é o latido de um cachorro”. Manas analisou de forma superficial a informação percebida.</p>
<p>Buddhi distinguirá as diferentes formas, tamanhos, cores, aromas, sons, paladares, temperatura, dimensões, texturas, etc&#8230; Ao se observar um objeto, automaticamente acontece o processo de racionalização do objeto visualizado, mesmo que seja inconsciente, mas isso acontece a toda hora.</p>
<p>É assim que inicia a atividade em buddhi, intelectualizando tais informações percebidas por manas. Usando agora o mesmo exemplo anterior:  após manas ter percebido a informação, tal informação será desmembrada. Já sabemos que o som percebido foi de um latido de cachorro, mas agora buddhi informará (através da atividade mental que acontece com uma velocidade muito rápida) qual o tamanho do cachorro, qual a raça, se o som é grave ou agudo, qual a direção do som percebido, se foi um latido de alegria, dor, fome, de alerta, se o som está próximo ou não, etc. Todo este processo de intelectualização da informação percebida por manas acontece em fração de segundo, a tal ponto que mal percebemos que toda essa atividade mental está acontecendo.</p>
<p>Agora que efetivamente o vritti é produzido e armazenado no plano mental, ahámkara será o aspecto da mente que afirmará se você conhece ou não conhece tal informação recebida através de um dos órgãos dos sentidos.</p>
<p>Quando ahámkara compreende, interpreta e assimila as informações de manas e buddhi o pensamento está gerado, por conseqüência o vritti também.</p>
<p>Ahámkara será quem afirmará se chitta realmente conhece ou não informações de manas e buddhi.</p>
<p>Conhecendo ou não conhecendo, a instabilidade já está instalada na mente. Instalada na forma de um objeto com nome e forma (namah e rupa) ou na forma de dúvida. Exemplificando esta última frase: ao receber uma informação do mundo externo, ahámkara irá dizer “sim, eu conheço” à informação recebida ou “eu não conheço”. Ao vermos um copo de água, manas recebe a informação, buddhi intelectualiza a informação e ahámkara reforçará a informação afirmando “isto eu conheço, isto é um copo de água”. Está gerado o vritti. Lembrando novamente que isso acontece em fração de segundos, tão rápido que nem tomamos conhecimento do processo.</p>
<p>E se ahámkara não conhece a informação recebida por manas e buddhi? Aqui vai um exemplo bem prático: o que é o tempo? Qual a concepção de tempo? O tempo existe? Independente da sua existência, o tempo existe? Questões deste nível ficam sem respostas, pois ahámkara, o princípio egóico, não consegue responder tais questionamentos pelo simples fato de não saber o que é o tempo. Portanto: “eu não sei o que é o tempo”. Não obtendo esta resposta, a dúvida está gerada, e por conseqüência mais um vritti foi gerado.</p>
<p>Aparentemente demos exemplos simples, mas são exatamente com esses exemplos simples que convivemos todos os dias. As informações têm cinco portas de acesso, os cinco sentidos sensoriais, e isso acontece de forma muito rápida, agora tente imaginar quantos pensamentos são gerados a cada minuto, a cada hora e a cada dia. Quantos vrittis foram gerados na sua consciência pelo fato de você estar lendo este texto agora? Vritti são muito mais contagiosos do que vírus e bactérias, ao assistir um filme você esta recebendo milhares de vrittis, ao ler um e-mail você está recebendo milhares de vrittis e mesmo ao atender um simples telefonema você estará recebendo milhares de vrittis! Realmente isso é muito contagioso!</p>
<p>Por isso que Pátañjali afirma que “yoga é a supressão da instabilidade na consciência”. E a cessação dos vrittis acontece pela via da meditação. Vrittis geram impressões marcantes em todos os nossos níveis de consciência, planos subconsciente e inconsciente, influindo diretamente em todos os nossos estados emocional e racionais.</p>
<p>Vrittis não são bons nem maus, são turbilhões de pensamentos que ficam rodeando a nossa mente e que vêm nos atrapalhar principalmente nas técnicas que exijam muita concentração. É exatamente quando tentamos diminuir por completo os pensamentos para atingir dhyána e samádhi (meditação e hiperconsciência) que as impressões deixadas pelos vrittis na nossa mente se tornam mais fortes. Só assim é que conseguimos vivenciar a dificuldade e complexidade que estão inseridas no sútra I:2 de Pátañjali. Primeiramente é importante conhecer os vrittis, saber como eles surgem e funcionam, para só assim conseguir suprimi-los por completo. Não tente brigar com os turbilhões de pensamentos, vá domando-os lentamente, que de forma bem natural eles irão cessar e você atingirá dhyána e sámadhi.</p>
<p>Para que o processo “cessação das ondas mentais” aconteça, o sádhaka já deve ter um bom tempo de prática e ter conseguido vivenciar (ou estar vivenciando), com êxito, as várias outras técnicas do yoga. Técnicas que no conjunto compõe o universo do yoga: mudrás (linguagem ou gestos manuais, mas nos shástras [escrituras] de hatha yoga, podem ser denominações de ásanas e bandhas), mantras (vocalização de kirtan, japa e bíja mantra), pránáyáma (técnicas respiratórias de captação de prána – bio-energia), kriyás (técnicas de purificação do corpo), bandhas (contração de glândulas, plexos e órgãos), ásanas (técnicas corporias), yoganidrá (técnica de descontração), pratyáhára (abstração dos sentidos sensoriais [indriya]), dháraná (concentração), dhyána (meditação), samádhi (hiperconsciência).</p>
<p>Reflita sobre os seus pensamentos e emoções, sobre os cinco sentidos e como eles  conectam você com o mundo. Observe como cada sentido produz estados emocionais e novos pensamentos. Conheça a raiz de seus pensamentos e emoções e obtenha sucesso nos seus sádhanas.</p>
<p>Indriya é o fator de conexão com o mundo externo e é através desta conexão que chitta (aspecto superior da mente) produz os vrittis. Esse é um dos árduos trabalhos do sádhaka, cessar todas essas instabilidades, pensamentos, emoções, para obter  sucesso como yogin, o samádhi.  Sinceramente, espero que estes meus vrittis tenham contribuído no seu processo evolutivo e na  busca do seu autoconhecimento.</p>
<p><em>(Texto autorizado e cedido por Daniel Nodari &#8211; professor de Yoga e músico &#8211; Ministra aulas na Casa do Yogin, Av Marilando 274, Bairro Higienópolis &#8211; Porto Alegre (51)30193688 &#8211; </em><a href="mailto:casadoyogin@terra.com.br"><em>casadoyogin@terra.com.br</em></a><em> e no Yoga Ganesha Studio &#8211; Rua Lima e Silva 740, 2 andar, Cidade Baixa, Porto Alegre, RS. (51) 3286.3068 &#8211; </em><a href="mailto:yogaganesha@yogaganesha.com"><em>yogaganesha@yogaganesha.com</em></a><em>. Contato: </em><a href="mailto:yogaganesha.comnodariwrum@gmail.com"><em>nodariwrum@gmail.com</em></a><em>, </em><a href="mailto:danielyoga@gmail.com"><em>danielyoga@gmail.com</em></a><em>)</em></p>
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		<title>DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 12:50:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Avelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Frei Betto Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos,recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados,ansiosos,geralmente comendo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=110&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span class="Apple-style-span" style="border-collapse:collapse;color:#000000;font-family:arial;font-size:13px;font-style:normal;font-variant:normal;font-weight:normal;letter-spacing:normal;line-height:normal;orphans:2;text-indent:0;text-transform:none;white-space:normal;widows:2;word-spacing:0;"></p>
<p style="text-align:justify;"><span class="Apple-style-span" style="border-collapse:collapse;color:#000000;font-family:arial;font-size:13px;font-style:normal;font-variant:normal;font-weight:normal;letter-spacing:normal;line-height:normal;orphans:2;text-indent:0;text-transform:none;white-space:normal;widows:2;word-spacing:0;"></p>
<p style="text-align:right;" align="right"><strong><em><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Por Frei Betto</span></em></strong><em></em></p>
<p></span><br class="Apple-interchange-newline" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos,recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados,ansiosos,</span><span style="font-size:10pt;color:#333300;">geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café</span><span style="font-size:10pt;color:#333300;">da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: &#8216;Qual dos dois modelos produz felicidade?&#8217;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: &#8216;Não foià aula?&#8217; Ela respondeu: &#8216;Não, tenho aula à tarde&#8217;. Comemorei: &#8216;Que bom,então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde&#8217;. &#8216;Não&#8217;,retrucou ela, &#8216;tenho tanta coisa de manhã&#8230;&#8217;. &#8216;Que tanta coisa?&#8217;,perguntei. &#8216;Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina&#8217;, e começou a elencar seu programa de garota robotizada.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Fiquei pensando: &#8216;Que pena, a Daniela não disse: &#8216;Tenho aula de meditação!&#8217;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Estamos construindo super-homens e supermulheres totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um super executivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluíremaulas de meditação!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias deginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: &#8216;Como estava o defunto?&#8217;. &#8216;Olha,uma maravilha, não tinha uma celulite!&#8217; Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Antes, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto,em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi nho de prédio ou de quadra! Tudo évirtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;color:#333300;">A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil &#8211; com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">A palavra hoje é &#8216;entretenimento&#8217;; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá ese apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de quefelicidade é o resultado da soma de prazeres: &#8216;Se tomar esterefrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!&#8217; O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose. Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis:<span class="Apple-converted-space"> </span><strong>amizades, auto-estima, ausência de estresse</strong>.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber ahistória daquela cidade &#8211; a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral;hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinhade esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno&#8230; Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald&#8217;s.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;color:#333300;">Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: &#8216;<strong>Estou apenas fazendo um passeio socrático</strong>.&#8217;Diante de seus olhares espantados, explico: &#8216;Sócrates, filósofo grego,também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial deAtenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:<span class="Apple-converted-space"> </span><strong>Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser FELIZ&#8217;</strong></span></p>
<p></span></p>
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		<title>Elementos  de Tantra</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2008 22:17:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Avelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia do yoga]]></category>
		<category><![CDATA[kaula]]></category>
		<category><![CDATA[kundaliní]]></category>
		<category><![CDATA[shakti]]></category>

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		<description><![CDATA[J. R. Araújo A literatura Tantra refere-se especificamente ao aspecto feminino da Pessoa Suprema. Neste sistema, a realização da energia de prazer (shakti) da Deidade adorável é o objetivo último do praticante. Nos Tantras Vaishnavas, essa Energia Suprema é hladini shakti, personificada por Srimati Radharani. Para o praticante Shaiva (seguidor de Shiva) essa energia é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=108&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size:small;"><span style="font-style:normal;"><em>J. R. Araújo<span style="font-style:normal;"><br />
</span></em></span></span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:small;"><span style="font-style:normal;"><em><span style="font-style:normal;"><br />
A  literatura Tantra  refere-se  especificamente  ao  aspecto  feminino  da  Pessoa  Suprema. Neste sistema,  a  realização  da  energia   de  prazer (shakti)  da  Deidade  adorável  é  o  objetivo  último do praticante.  Nos  Tantras  Vaishnavas,  essa  Energia  Suprema  é  hladini  shakti, personificada  por Srimati  Radharani.  Para  o  praticante  Shaiva (seguidor  de  Shiva)  essa  energia  é  personificada  por Parvati.  Qualquer  que  seja  a  deidade,  Vishnu  ou  Shiva,  de  adoração  do  praticante,  ele  procura ocupar-se  na  contemplação  e  serviço  da  energia  interna  de  sua  deidade. Entrar  em  yoga  sublime com  a  energia  shakti  de  sua  devoção  é  o  objetivo  supremo  e  desejável.  Assim  como  o  Senhor Supremo  permanece  junto  de  toda  alma  corporificada  como  Paramatma,  sua  energia  interna, shaktidevi,  também  está  presente  como  Kundalini devi. </span></em></span></span></strong></p>
<p><strong>Tantra  Yoga  procura  a  realização  direta  da  Maha Shakti,  a  Divina  Energia  Interna  da deidade  de  adoração  do  praticante  (sakta)  e  envolve  o  aspecto  mais  geral  onde  diversas técnicas (asanas,  mantras,  puja,  yantras, pranayana, dhyana, mudras, etc.)  são  utilizadas, promovendo  a dinâmica  de  energias  sutis  para  a  obtenção  de  poderes  especiais (siddhis) ou a  realização  de Maha Shakti.  Kundalini  Yoga,  também  conhecida  como  Bhuta-suddhi,  é  uma forma  particular  de Tantra Yoga.  Estes  termos  referem-se  a  Kundalini Shakti  ou  a  Suprema Energia  no  corpo humano, pela ascensão  da  qual,   yoga  ou  samadhi  é  alcançado. Durante esta  ascensão,  os  elementos  do corpo  e  a mente  são  purificados (bhuta-suddhi).  Kundalini Yoga  procura  a  realização  do aspecto localizado dessa energia  interna,  kundalinidevi, situada  no  Muladhara Chakra,  em  estado adormecido.  Utiliza-se  da movimentação  das energias  nos  dois  nadis,  ida  e  pingala  e  suas convoluções  em  torno  do  sushumna ou canal  central,  em  seu  movimento  ascendente.  Existem  seis chakras  ou  centros  de  energia alinhados  e  situados  verticalmente,  próximos  à  coluna  vertebral. Na base  da  coluna vertebral,  há  o   Muladhara  chakra,  onde  repousa  disposta  em  espiral  a  energia kundalini que  é  uma  manifestação de  Maha Shakti  ou  a  Divina  Deusa,  como  expansão  da energia de prazer  emanada  do  Senhor Supremo.  O  Senhor  Supremo  permanece  junto  de  toda  alma corporificada  como  Paramatma,  sua energia  sakti  também  está  presente  como  Kundalini devi.  A perfeição,  neste  sistema  de  yoga, consiste  em  direcionar  esta  energia,  para  o  alto, fazendo-a circular  por  todos  os  seis  chakras,  por meio  de  uma  série  de  exercícios respiratórios apropriados,  meditação  no  bija-mantram  característico de  cada  chakra,  que  é o  mantra  raiz  ou a  vibração  sonora  original  conexa  com  cada  um  destes centros  de energia  e  assim  fazer  esta energia  despertar  e  ascender  em  direção  ao  alto  da  cabeça, onde  está  o  Sahasrara Padma  que não  é  considerado  um  chakra,  mas  uma  abertura  no alto  da cabeça.  Uma  das  técnicas  de respiração do  Kundalini  Pranayana  utilizada  é  a Bhairavi Kriya, considerada  muito  poderosa  para  a  obtenção  de  poderes  místicos  (siddhis)  e  elevação  da consciência.</strong></p>
<p><strong>A  idéia  de  “Tantra  Yoga”  como  uma  prática  sexual  é  uma  completa  distorção  e mal representação  do  caminho  espiritual  genuíno  e  tradicional  delineado  nos  Tantras. Os Tantras compreendem  uma  vasta  coleção  de  textos  védicos  escritos  em  Sânscrito, abrangendo  uma variada gama  de  assuntos,  mas  tendo  como  objetivo  central  o  reviver  de nossa  relação  espiritual com  Deus. De  acordo  com  o  Nirukti, o  dicionário  padrão  em Sânscrito,  tantra  significa “instrução”. Instrução  em diversos  campos  do  conhecimento  tais como,  meditação, construção  de templos,  agricultura,  culinária, tecelagem,  música,  geometria e  matemática,  decoração,  adoração  e cerimônias  no  templo,  organização  de  festivais religiosos,  administração  de  comunidades,  artes militares,  comércio  e  finanças,  vida familiar, conhecimento  de  ervas  medicinais,  e  muitos  outros assuntos.</strong></p>
<p><strong>Na  tradição  filosófico-espiritual  chamada  Sanatana-dharma,  existem  três  sistemas principais que originalmente  contêm  ensinamentos  sobre  Sakti  Devi  e  Kundalini.  Estes  sistemas compreendem os Vedas  e  Upanishads, que  formam  o  sistema  mais  antigo,  os Puranas  e  os Tantras.  Nos  Vedas encontramos  informações  especialmente  no  Atharva Veda.  Nos  Upanishads  temos  o  Yogopanishad e o Kundalini  Yoga  Upanishad.  Entre  os Puranas  temos  o  Shiva Purana,  o  Lingam  Purana.  No Markandeya  Purana   há  uma  parte designada  como  devimahatmya   onde  a  devoção  a  Sakti  devi é enfatizada,  bem  como  no Upa-Purana  Devi-Bhagavata.  Existem  dezoito  Puranas  principais  e dezoito secundários  ou Upa-Puranas.  Dentre  os  textos  tântricos  tradicionais  sobre  o  assunto, destacam-se  os Sat Chakra Nirupana,  Paduka  Panchaka,  Kularnava  Tantra, Yoga  Taravali  (que descreve  as técnicas de  Kundalini-yoga),  Sarada Tilak Tantram,  Saundaryalahari  que  é  um comentário  de Sripad Shankaryacharya  sobre  as  glórias  de  Kundalini  ou  a  Divina  Shakti.</strong></p>
<p><strong>A  literatura  tântrica  segue  duas  vertentes,  a  dakshinachara  (mão  direita)  e  a  vamchara (mão esquerda).  Esta  designação  parece  seguir o  costume  védico  de  que  a  mão  direita  é  utilizada para atividades  auspiciosas,  puja (rituais de adoração),  manuseio  de  artigos  nas  cerimônias prescritas  nos Vedas  ou  mesmo  higiene  dos  membros  superiores  do  corpo,  enquanto  a  mão esquerda  é  utilizada para  atividades  inferiores,  como  a  higiene  de  determinadas  partes  do  corpo, por  exemplo. Assim, existem  literaturas  e  práticas  onde  a  abordagem  seja  dakshinachara  ou vamchara. O  Tantra  da  mão direita,  diz  respeito  aos  rituais  de  purificação  e  às  atividades  onde uma  disciplina  espiritual  rígida procura  a  realização  da  energia  original  (Maha Shakti)  emanada  do Senhor  Supremo.  Todos  esses textos  mencionados  no  parágrafo  anterior  dizem  respeito  à dakshinachara.</strong></p>
<p><strong>Os  Gaudiyas  Vaishnavas  utilizam-se  de  textos  tântricos  dakshinacharas,  tais  como Narada Pañcaratra,  Brihad-gautamiya  Tantra,  Gautamiya  Tantra, Svatvata  Tantra, Brihad-vaishnava  Tantra, Vishnu-yamala  Tantra,  Svayambhuva  Tantra,  Vaishnava  Tantra,  Tantra-nirnaya  e  outros.  Em  muitos volumes  do  Srimad-Bhagavatam e  Caitanya Caritamrta,   Srila  Prabhupada (Mestre  Espiritual  na tradição gaudiya-vashnava)  faz   referências  freqüentes  a estes  textos.</strong></p>
<p><strong>No Brihad Gautamiya Tantra  é  dito  sobre  Srimati Radharani :</strong></p>
<p><strong>devi krsna-mayi prokta<br />
radhika para-devata<br />
sarva-laksmi-mayi sarva-<br />
kantih sammohini para </strong></p>
<p><strong>“A deusa transcendental  Srimati Radharani  é  a  consorte  direta  do  Senhor  Krishna. Ela é a figura central  dentre  todas  as  deusas  da  fortuna. Ela  é  a  potência  interna  principal  do  Senhor  e   possui toda  a  atratividade  para  atrair  a  Toda-atrativa  Personalidade  de  Deus“.  No  Caitanya-caritamrta, todo  o  capítulo  4  do  Adi-lila,  promove  a  explicação  de .Srimati Radharani  como  a  energia  interna  de Sri  Krishna,  com  base  no  verso  acima  mencionado do  Brihad  Gautamiya  Tantra.</strong></p>
<p><strong> Apesar  de  Tantra  ser  uma  disciplina  séria,  existe  uma  prática  que  corresponde  a  uma escola trântrica  de  menor  importância  na  Índia,  mas  que  ganhou  bastante  difusão  no  Ocidente. É a  escola Kaula Marga,  onde  a  energia  sexual  é  diretamente  utilizada  como  uma  mola  propulsora de Kundalini Shakti.  É  uma  prática  muito  rígida,  onde  exige  uma  disciplina  rigorosa,  mas  que  no decorrer  dos anos  tornou-se  muito  distorcida  e  que  neste  aspecto,  degenerado,  ganhou notoriedade  no  Ocidente. Em  seu  aspecto  genuíno  e  tradicional  o  praticante  (kaula)  inicia  seus estudos    aos  cinco anos  de idade,  quando  é  levado  a  um  mosteiro  ou  ashram,  numa  floresta densa  e  inacessível  lá permanecendo  até  a  idade  de  cerca  de  vinte  anos.  Durante  todo  esse período  observa  celibato absoluto,  imerso  numa  atmosfera  propícia  ao  desenvolvimento  pessoal, sem  qualquer  contato,  até mesmo  visual,  com  pessoas  de  mentalidade  mundana  ou  mesmo  do sexo  oposto. O  Praticante  recebe instrução  teórica  e  prática  em  diversas  atividades  mencionadas nos  sastras,  tais  como  yoga, meditação, medicina,  artes  e  ciências  védicas. Segue  uma  disciplina rigorosa  de  purificação  e conhecimento  dos  textos  tântricos.  Aprende  a  movimentar  a  energia  sutil através  do  shushumna, passando-a  pelos  chakras  e  quando  está  quase pronto  para  o  ritual  final, encontra-se  com  sua  shakti.  È  central,  nessa  tradição  a  figura  da  sakti. Esta  é  uma  moça, educada  igualmente  de  acordo  com essa  tradição,  oferecida  como esposa  a  esse  rapaz  desde quando  este  tinha  a  idade  de  cinco  anos, quando  foi  levado  ao ashram.  Esta  jovem  também recebeu  instruções,  mas  permaneceu  durante  todo esse  tempo na  casa  de  seus  pais.  São  jovens provenientes  de  famílias  shaktas  devotadas  e o sucesso nesta  disciplina  é  o  objetivo  de  suas vidas. É  importante  salientar  que,  em  qualquer  fase deste processo,  havendo  a  falha  de  qualquer um deles,  a  procura  do  objetivo  é imediatamente  abandonada e  eles  voltam  para  suas  famílias, onde a  cerimônia  de  casamento é  oficializada  e,  juntos,  constituirão família.  Antes,  porém,  tentarão com muito  esforço  e força  de  vontade  a  busca  da  emancipação  em yoga.  Neste  momento, devidamente preparados,  eles  encontram-se  na  floresta,  fora  dos  limites  do ashram,  e  após  uma breve cerimônia  vão  juntos,   sem  qualquer  contato  físico,   cruzando  a  floresta, alimentando-se apenas  daquilo  que  possam  coletar,  como frutos  silvestres,  folhas  e  raízes.  Praticam austeridades (tapas),  meditação  (dhyana),  observam  celibato  e  executam   muitos  exercícios respiratórios  sempre acompanhados  de  mantras  em  glorificação  a  Shakti  devi  cultivando sempre  o desapego  aos prazeres  do  corpo.  Quando  completam  o  ciclo  de  viverem  na floresta,  começam  o  ciclo  urbano quando  visitam  lugares  de  peregrinação.  Neste  ciclo,  não coletam  alimentos,  mas  esmolam  o que comer,  trocam  suas  roupas  com  as  roupas  dos pedintes  e  dormem  ao  relento.  Este  é  o  período de  maior  austeridades,  onde  as  práticas de  meditação  são  incrementadas.  Ao  final  deste  ciclo, nem mesmo  esmolam  o  que  comer e,  sem  pedir, comem  apenas  o  que  recebem  em  caridade.  Aí chegou  o momento  do  teste final  de  seus  desapegos  ao  corpo.  Aproximam-se  de  um  lugar  onde cadáveres  são cremados,  e  após  vários  dias  em  meditação  e  orações  a  Shakti  devi,  procuram uma  parte qualquer de  algum  cadáver  que  tenha  permanecida  sem  cremar  totalmente  e  como teste final  de  seus desapegos,  comem  um  pouco  destes  restos.  Neste  teste  não  deve  haver repulsa  ou medo,  pois  eles devem  observar  se   têm  apegos  ou  aversões   provenientes  de qualquer  atividade corpórea.</strong></p>
<p><strong>No  caso  de  superarem  esta  fase,  agora  estão  aptos  para  a  fase  seguinte,  Urdhvana Kriya.  A verificação  de  ausência  de  apegos  ou  aversões  nas  atividades  corpóreas,   trará  certeza aos praticantes  de  que  ao  adentrarem  nesta  fase,  o  farão  sem  qualquer  mácula  de gozo  dos sentidos,  e assim,  terão  o  necessário  controle  para  alcançarem  o  objetivo  desta fase,  após  anos  e anos  de meticulosa  preparação.  A  tradição  “urdhvum”  refere-se  à prática  de  se  transmutar  a energia  sexual, direcionando-a  para  cima,   através  dos  nadis  tântricos,  até   o  alto  da  cabeça. Esta  prática, denominada  Urdhvamnaya  Kriya,  é reconhecida  como   uma  técnica  eficaz  e  usada em  conjunto  com o mantra  sri-prasada-para .  No  Kulanarva  Tantra,  o  Senhor  Shiva  afirma: “Ó Deveshi !  Saiba  que  este Urdhvamnaya  é  o  meio  mais  simples  e  direto  para  a  emancipação espiritual,  o  qual  oferece mais  e melhores  frutos  que  qualquer  outro  método.  Nem  os  Vedas, Ágamas, Sastras, Puranas,  austeridades, peregrinações,  mantras  e  nem  mesmo  as  ervas  medicinais, nada  pode superar  este  Urdhvamnaya, aprendido  apenas  através  do  guru”.  Nesta  prática,  os kaulas devidamente  habilitados,  por  meses  e meses  de  exercícios  e  testes,  como  os  descritos acima,  podem  executar  o  ritual  final,  em  um contato  sexual,  onde,  na  ausência  de  orgasmo ou ejaculação,  toda  a  energia  sexual   não  é desperdiçada,  mas  utilizada  como  uma  mola propulsora da  energia  sakti,  que  será  por  fim impulsionada  para  o  sahasrama  padma, fazendo  com  que  os praticantes  alcancem  o  estágio  último  de realização  da  energia  infinita de  Shakti devi,  usufruindo assim  de  um  mergulho  neste  aspecto diversificado  (feminino)  do brahman,  quando  todos  os siddhis  e  consciência  superior  se  manifestam. È um  caminho árduo,  sério  e  por  demais  difícil,  que nada  tem  a  ver  com  a  licenciosidade  e  orgia  que faz parte  dos  exercícios  de  grupos  e  gurus indulgentes  que  nada  entendem  de  Tantra  e  de  seu real objetivo.  Assim,  depois  de  provarem  a  si mesmos  estarem  distantes  da  propensão  ao gozo dos sentidos, livres  do  apego  ou  aversão corpóreos,  totalmente  situados  em  meditação na  forma Shakti devi  como  suas  Ishta-devata, deidade  adorável,  os  kaulas submetem-se  ao ritual  urdhvana kriya,  livres  da  propensão materialista  de  prazer,  e  assim  bem  sucedidos, entram  em  samadhi conseqüente  do  despertar  de kundalini  shakti.   Esta  forma  ritual disciplinada,  austera  e  bastante rígida  é  bem  diferente  da licenciosidade  praticada  nas  assim chamadas  academias  de  yoga  tantra.</strong></p>
<p><strong>Os  Kumaras alcançaram  o  estado  de  pureza, potência  espiritual  plena  e  desapego genuíno (niskriyan ),  após  executarem  urdhva-retasa  ou  transmutarem  a  propensão  sexual materialista  (por meio  da  meditação)  em  energia  espiritual  pura.  (Srimad. Bhagavatam, canto 3, cap.12, verso 4).</strong></p>
<p><strong>Portanto  podemos  entender  que  Tantra  Yoga  é  uma  disciplina  que  favorece  ao avanço  espiritual,  possibilitando  ao  praticante  a  realização  plena  em  yoga  com  as  energias  internas  de prazer  do  Senhor  Supremo.  No  Caitanya  Caritamrta,  Adi-lila,  capítulo 4, Krishnadasa Kaviraja Goswami  explica  que  Srimati  Radharani  é  a  origem  de  todas  as Energias  Lakshmis,  ou  deusas  da fortuna,  e,  como  o  Senhor  Vishnu  é  a  origem  do  Senhor  Shiva,  a  energia  de  prazer  deste, também é  uma  expansão  de  Vishnu.  O  Senhor  Krishna, é  em  última  análise  a  fonte  de  todas  as energias  e a  realização  plena  ou  parcial  destas  energias  é  sempre  um  passo  importante  no caminho  da auto-realização.</strong></p>
<p><strong><em></em></strong></p>
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		<title>Parte interessante do Kularnava Tantra</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Oct 2008 23:48:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Avelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia do yoga]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Neste mundo estão incontáveis massas de seres sofrendo toda forma de dor. A velhice espreita como uma tigresa. A vida se esvazia como se fosse a água de um pote quebrado. A doença mata como os inimigos. A prosperidade é apenas um sonho; a juventude é como uma flor. A vida é vista e se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=106&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Neste mundo estão incontáveis massas de seres sofrendo toda forma de dor. A velhice espreita como uma tigresa. A vida se esvazia como se fosse a água de um pote quebrado. A doença mata como os inimigos. A prosperidade é apenas um sonho; a juventude é como uma flor. A vida é vista e se vai como o relâmpago. O corpo nada mais é que uma bolha d&#8217;água. Como então alguém pode saber disso e mesmo assim permanecer satisfeito? O Jivatma (corpo psíquico pessoal) passa pelos lakhs de experiência, entretanto somente como ser humano ele pode obter a verdade. É com grande dificuldade que se nasce ser humano. Portanto, é um suicida aquele que, tendo obtido um excelente nascimento, não sabe o que é para seu bem. Há alguns que tendo bebido o vinho da ilusão estão perdidos em buscas terrenas, não percebem o vôo do tempo e não são comovidos pela visão do sofrimento.</p>
<p>Há outros que caíram no poço profundo das Seis Filosofias &#8211; adversários fúteis lançados ao deslumbrante oceano dos Vedas e Shastras (escrituras). Eles estudam dia e noite e aprendem palavras. Alguns ainda, fascinados pelo conceito, falam do pensamento Umani de forma nenhuma percebendo-o. Meras palavras e conversa não podem dispersar a ilusão do errante. A escuridão não é dispersada pela menção da palavra &#8216;candeeiro&#8217; . O que há então há fazer? Os Shastras (escrituras) são muitos, a vida é curta e há milhões de obstáculos. Portanto, que a essência deles seja compreendida, assim como o Hamsa (o cisne divino) separa o leite da água com a qual estava misturado.&#8221; (Kularnava Tantra)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/purusha.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/purusha.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/purusha.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/purusha.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/purusha.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/purusha.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/purusha.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/purusha.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/purusha.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/purusha.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/purusha.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/purusha.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/purusha.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/purusha.wordpress.com/106/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=106&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Tantrismo Shakta</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2008 23:34:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Avelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[avaita]]></category>
		<category><![CDATA[mãe divina]]></category>
		<category><![CDATA[shakta]]></category>
		<category><![CDATA[shaktismo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;De todos os cultos tântricos, a tradição dos Shâkta é a que mais tem sofrido críticas, em razão de um entendimento e práticas errôneos. Muitos vêem neles somente &#8216;lascívia, mistério e magia negra, superstições tolas e vulgares&#8217;. Mas estudando-se mais profundamente os Shâkta Tantras com o propósito de entendê-los, encontra-se muito sentido nos princípios neles [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=purusha.wordpress.com&amp;blog=4442540&amp;post=104&amp;subd=purusha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#0000ff;">&#8220;De todos os cultos tântricos, a tradição dos Shâkta é a que mais tem sofrido críticas, em razão de um entendimento e práticas errôneos. Muitos vêem neles somente &#8216;lascívia, mistério e magia negra, superstições tolas e vulgares&#8217;. Mas estudando-se mais profundamente os Shâkta Tantras com o propósito de entendê-los, encontra-se muito sentido nos princípios neles ensinados.</span></p>
<p><span style="color:#0000ff;">Filosoficamente, o Shâkta-darshana (filosofia, ponto de vista) é um tipo de não-dualismo. A realidade, de acordo com ele, é não-dual (advaita); é da natureza da Existência-Consciência-Beatitude (saccidânanda). É nirguna, isto é sem atributos, no sentido que não há distinções nela. Nada é real além dela. Todas as coisas são idênticas a ela. A realidade não-dual manifesta-se como o mundo de pluralidade através do poder de mâyâ. Até este ponto, o Advaita do Shaktismo está em acordo com o de Shankara (Vedanta clássico). Mas, enquanto para Shankara mâyâ é o princípio de ilusão que vela o verdadeiro Brahman (Ser Universal) e projeta-se no mundo irreal, para o Shaktismo, mâyâ é um poder real, manifestando-se na forma do universo diversificado.</span></p>
<p><span style="color:#0000ff;">A esse respeito,o ensinamento dos Shâkta é idêntico ao do Shivaísmo de Kâshmira. Ambos consideram a realidade última como sendo Shiva-Shakti, Consciência-Poder. Shiva é o princípio estático da consciência enquanto Shakti é o princípio cinético. Os Shâkta Tantras representam esta verdade pelo célebre provérbio, &#8216;Shiva sem Shakti é shava (cadáver)&#8217; e pela figura de cinco cadáveres de Shiva sustentando o trono da Mãe do Mundo, nas deslumbrantes florestas da Ilha das Pedras Preciosas (Manidvîpa), cujas areias douradas são banhadas pelo Oceano da Imortalidade (amrta).</span></p>
<p><span style="color:#0000ff;">Enquanto Shiva é a fundação básica da criação, Shakti é seu princípio dinâmico, móvel. Há dois aspectos de Shakti, vidyâ ou chit-shakti e avidyâ ou mâyâ-shakti. Chit-shakti é da natureza da Iluminação e Consciência (prakâsha). Mâyâ-shakti é a mesma consciência que oculta a si mesma e projeta-se no mundo. É a potência do vir-a-ser, a semente da evolução (vimarsha). Através de mâyâ, o Um torna-se Muitos, o Infinito torna-se finito, o Supremo Espírito torna-se o mundo de Mente, Vida e Matéria. A evolução não afeta, realmente, a natureza de Shiva, que não é somente da forma do universo (vishvamaya) mas está além dele (vishvottîrna).</span></p>
<p><span style="color:#0000ff;">Em um mundo dominado por conceitos masculinos e com tendências profanas, a ênfase da filosofia Shâkta na maternidade de Deus é fascinante. É necessário ressaltar, no entanto, que Shakti é mulher somente figurativamente e simbólicamente. Shakti é Deus como o princípio de produtividade; e o Shâkta dá a Ele a forma feminina para propósitos de culto. Na verdade, segundo sua filosofia, a realidade última nem é masculina nem feminina. Um hino dedicado a Shakti o Mahâkâla-samhitâ diz:</span></p>
<div class="para"><span style="color:#000084;"><strong>&#8216;Tu não és nem menina nem donzela nem velha. Na verdade, tu não és nem feminino nem masculino nem neutro. Tu és inconcebível, poder imensurável, o Ser de tudo que existe, livre de toda dualidade, o supremo Brahman, acessível somente pela Iluminação&#8217;</strong></span>.<span style="color:#0000ff;">&#8220;</span></div>
<p><strong>T.M.P. Mahadevan, Outlines of Hinduism, p.203 &#8211; 206.</strong></p>
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