Mudança de endereço

Abril 2, 2009 at 3:05 pm (Cultura Indiana, Filosofia do yoga, Hatha Yoga, Uncategorized)

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Questão de foco:

Dezembro 16, 2008 at 1:28 pm (Uncategorized)

Quando a Nasa iniciou o lançamento de astronautas, descobriu que as canetas não funcionariam com gravidade zero.
Para resolver este enorme problema, contrataram a Andersen Consulting, hoje Accenture.
Empregaram 12 milhões de dólares para sanar o problema.
Conseguiram desenvolver uma caneta que escrevesse com gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d’água, em praticamente qualquer superfície incluindo cristal e em variações de temperatura desde abaixo de zero até +300ºC.

Os russos foram mais econômicos, usaram lápis.

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Yoga e evolução

Novembro 28, 2008 at 9:44 pm (Uncategorized)

Cuidado para não se deixar seduzir por uma leitura ocidentalizada da tradição do Yoga.

A idéia mais próxima de evolução que a tradição indiana predica é o “parinama”, que expressa a inconstância das formas no mundo material. Na literatura hindu, um cidadão pode morrer humano e nascer animal ou inseto. O parinama pressupõe mudança das formas, mas não necessariamente para atender a um desígnio superior ou para buscar uma perfeição idealizada.

O Yoga é o método adotado pelo Estado Indiano na Educação para converter suas crianças em “siddhas” (perfeitos). E siddha é a condição da pessoa que revela a sua perfeição natural (sahajasiddhiH). Naturalmente não estamos nos referindo à perfeição das formas, mas à sinceridade e autenticidade das ações.

Então podemos afirmar que não se deve dizer que o Yoga é “acelerador evolutivo”, pois nem ele acelera coisa alguma, nem tampouco o yogi busca qualquer tipo de “evolução”.

Antes que me ataquem pelos detalhes das palavras que utilizo, chamo a sua atenção para o fato de que, em termos de Ciência, a palavra “evolução” designa o conjunto de adaptações ou especializações pelas quais passa um organismo, e que asseguram a ele uma melhor adequação ao meio em que vive.

O Yoga não se destina à transformação do corpo, mas à realização de nossa natureza interior (svadharma), o que acaba por nos permitir viver melhor nesse mesmo corpo. Calmamente, sem pressa.

Dizendo de outra maneira, não estamos evoluindo quando buscamos nos tornar mais perefeitamente aquilo que já somos potencialmente. O desabrochar da semente, ou o amadurecimento do fruto, não se confunde com um processo evolutivo – que mudaria a sua natureza intrínseca.

A vida é um discurso, uma incessante sucessão de palavras. A razão aprisiona cada indivíduo numa teia de relações.

O Yoga transforma a vida em poesia da melhor qualidade. Por isso os sábios hindus eram chamados de “poetas” (kavayaH).

Carlos Eduardo, professor de sânscrito e cultura indiana.

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Yoga e Espiritismo

Novembro 7, 2008 at 9:23 pm (Uncategorized)

O Espiritismo é o que temos de mais parecido, no Ocidente, com as tradições preservadas na Índia. Isso é particularmente válido se nos referirmos mais especificamente à região dos Himalaias (Garhwali, Kumaeoni, Nepali e Tibetanos).

Há, no entanto, uma certa dificuldade em conciliar esses corpos culturais, em especial em razão da rejeição que o Espiritismo Kardecista apresenta, em suas obras, em relação a tudo aquilo que não seja a mensagem do Evangelho cristão.

Quando o Espirito “Emmanuel”, pela pena do saudoso Chico Xavier (não me recordo o nome do livro, mas qualquer espírita sabe qual é), enuncia que antes de Jesus Cristo não havia caridade, humildade, bondade sincera e outras qualidades essenciais para o bom espírita – usando como ilustração de seu argumento o Egito, a Índia, a Mesopotâmia, etc. fica muito claro que alguns espíritas rejeitam a validade dessas antigas culturas como referência para a boa espiritualidade.

No entanto, o espiritismo também tem defensores da boa diplomacia com a Índia desencarnada. As obras atribuídas ao espírito “Ramatis” partem da premissa de que há núcleos espíritas no mundo espiritual baseados no Hinduísmo – ainda que segundo esse segmento, também esses espíritos indianos reconhecem a supremacia da palavra de Jesus Cristo sobre as tradições do Oriente.

Quanto ao Yoga, em si, ainda que não seja uma norma a sua prática pelos espíritas, ele ofereceu a esse movimento uma contribuição inestimável. Para começar, a nomenclatura espírita utiliza termos da tradição tântrica do Yoga, em especial reconhecendo os “chakras”, o conceito de “karma” (reinterpretado, é claro), a idéia do “prana” e a importância do silêncio e da meditação. As práticas de controle respiratório também são essenciais à boa mediunidade.

Portanto, não há porque não aproximar mais o Yoga do Espiritismo. Não sei quantos yoginas vão se entusiasmar com a cultura espírita, mas certamente um pouco da prática de Yoga não vai fazer mal a médium nenhum.

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DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL

Outubro 23, 2008 at 12:50 pm (Uncategorized)

Por Frei Betto


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos,recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados,ansiosos,geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado caféda manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: ‘Qual dos dois modelos produz felicidade?’

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: ‘Não foià aula?’ Ela respondeu: ‘Não, tenho aula à tarde’. Comemorei: ‘Que bom,então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde’. ‘Não’,retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã…’. ‘Que tanta coisa?’,perguntei. ‘Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina’, e começou a elencar seu programa de garota robotizada.

Fiquei pensando: ‘Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’

Estamos construindo super-homens e supermulheres totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um super executivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluíremaulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias deginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: ‘Como estava o defunto?’. ‘Olha,uma maravilha, não tinha uma celulite!’ Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Antes, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto,em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi nho de prédio ou de quadra! Tudo évirtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil – com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.

A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá ese apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de quefelicidade é o resultado da soma de prazeres: ‘Se tomar esterefrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!’ O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose. Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.

Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber ahistória daquela cidade – a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral;hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas…

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinhade esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno… Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald’s.

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: ‘Estou apenas fazendo um passeio socrático.’Diante de seus olhares espantados, explico: ‘Sócrates, filósofo grego,também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial deAtenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser FELIZ’

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O Tantrismo Shakta

Outubro 16, 2008 at 11:34 pm (Uncategorized) (, , , )

“De todos os cultos tântricos, a tradição dos Shâkta é a que mais tem sofrido críticas, em razão de um entendimento e práticas errôneos. Muitos vêem neles somente ‘lascívia, mistério e magia negra, superstições tolas e vulgares’. Mas estudando-se mais profundamente os Shâkta Tantras com o propósito de entendê-los, encontra-se muito sentido nos princípios neles ensinados.

Filosoficamente, o Shâkta-darshana (filosofia, ponto de vista) é um tipo de não-dualismo. A realidade, de acordo com ele, é não-dual (advaita); é da natureza da Existência-Consciência-Beatitude (saccidânanda). É nirguna, isto é sem atributos, no sentido que não há distinções nela. Nada é real além dela. Todas as coisas são idênticas a ela. A realidade não-dual manifesta-se como o mundo de pluralidade através do poder de mâyâ. Até este ponto, o Advaita do Shaktismo está em acordo com o de Shankara (Vedanta clássico). Mas, enquanto para Shankara mâyâ é o princípio de ilusão que vela o verdadeiro Brahman (Ser Universal) e projeta-se no mundo irreal, para o Shaktismo, mâyâ é um poder real, manifestando-se na forma do universo diversificado.

A esse respeito,o ensinamento dos Shâkta é idêntico ao do Shivaísmo de Kâshmira. Ambos consideram a realidade última como sendo Shiva-Shakti, Consciência-Poder. Shiva é o princípio estático da consciência enquanto Shakti é o princípio cinético. Os Shâkta Tantras representam esta verdade pelo célebre provérbio, ‘Shiva sem Shakti é shava (cadáver)’ e pela figura de cinco cadáveres de Shiva sustentando o trono da Mãe do Mundo, nas deslumbrantes florestas da Ilha das Pedras Preciosas (Manidvîpa), cujas areias douradas são banhadas pelo Oceano da Imortalidade (amrta).

Enquanto Shiva é a fundação básica da criação, Shakti é seu princípio dinâmico, móvel. Há dois aspectos de Shakti, vidyâ ou chit-shakti e avidyâ ou mâyâ-shakti. Chit-shakti é da natureza da Iluminação e Consciência (prakâsha). Mâyâ-shakti é a mesma consciência que oculta a si mesma e projeta-se no mundo. É a potência do vir-a-ser, a semente da evolução (vimarsha). Através de mâyâ, o Um torna-se Muitos, o Infinito torna-se finito, o Supremo Espírito torna-se o mundo de Mente, Vida e Matéria. A evolução não afeta, realmente, a natureza de Shiva, que não é somente da forma do universo (vishvamaya) mas está além dele (vishvottîrna).

Em um mundo dominado por conceitos masculinos e com tendências profanas, a ênfase da filosofia Shâkta na maternidade de Deus é fascinante. É necessário ressaltar, no entanto, que Shakti é mulher somente figurativamente e simbólicamente. Shakti é Deus como o princípio de produtividade; e o Shâkta dá a Ele a forma feminina para propósitos de culto. Na verdade, segundo sua filosofia, a realidade última nem é masculina nem feminina. Um hino dedicado a Shakti o Mahâkâla-samhitâ diz:

‘Tu não és nem menina nem donzela nem velha. Na verdade, tu não és nem feminino nem masculino nem neutro. Tu és inconcebível, poder imensurável, o Ser de tudo que existe, livre de toda dualidade, o supremo Brahman, acessível somente pela Iluminação’.

T.M.P. Mahadevan, Outlines of Hinduism, p.203 – 206.

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Zeitgeist Addendum

Outubro 16, 2008 at 4:08 pm (Uncategorized)

Como entender como funciona a economia moderna.

Como entender como a criação de dinheiro funciona.

Como entender como entender o como sutil como somos escravizados hoje.

Como entender o império americano e seu ditadura baseada no domínio das grandes corporações.

São doze partes, clique duas vezes acima para entrar no youtube, as outras partes estão do lado direito.

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Patañjali, selos do Vale do Indo, Bhagavad Gita

Outubro 14, 2008 at 2:42 pm (Uncategorized)

Patañjali é um marco histórico por se tratar do mais antigo documento que trata especificamente do Yoga como um assunto distinto de qualquer outro. O assunto do texto de Patanjali é o próprio Yoga.

O Yoga é mencionado desde algumas das mais antigas upanishadas como uma prática de ajustamento da mente, e, particularmente na Shvetashvatara Upanishat ele é descrito com mais detalhamento, já com todos os traços característicos do então futuro Yoga Clássico. Ali também nasce a figura de Shiva, ainda como uma personificação benigna do deus Rudrá.

O conceito do Yoga, portanto, surge ainda no período védico da literatura sânscrita, e isso é o máximo que podemos afirmar com certeza sobre suas origens.

Quanto à comparação das poses de figurinhas dos selos da civilização do Vale do Indo com os asanas do Yoga, é equivocada, pois nada sugere que houvesse qualquer ênfase em posturas nas referências mais antigas ao Yoga. Para ser preciso, essa ênfase surge muito tardiamente no Yoga, a partir da abordagem tântrica, que aparece somente na Idade Média (ha pouco mais de mil anos).

O Yoga mencionado na Bhagavad Gita parece estar a caminho de se tornar uma doutrina (o que acontecerá apenas com Patanjali). Mas é um equívoco considerar que ali são tratados vários “tipos” de Yoga. A palavra “yoga”, ali, tem um significado genérico de “uso” – de onde podemos tirar: o uso da Inteligência (buddhiH); o uso do ritual (karma); e o uso do compartilhamento divino (bhaktiH). Ela menciona o uso dessas ferramentas para a realização do Dharma – que é o verdadeiro foco da Gita.

Kriya Yoga é uma expressão utilizada por Patanjali na primeira frase do segundo capítulo dos Sutras para descrever aquilo que resume a prática de sua doutrina, ou seja, apenas três componentes do niyama: tapas, svadhyaya e Ishvarapranidhanam. Não é um “tipo” de Yoga, mas sim aquilo que Patanjali sugere que seja o “coração” do Yoga, pois produz samadhi e atenua as perturbações ao processo do Yoga.

Carlos Eduardo

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Refletir sobre a História … buscar a Verdade …

Outubro 1, 2008 at 12:39 pm (Uncategorized) (, , , , , )

Namaste amigos,

Um dos muitos mitos e falácias divulgados à respeito da Deusa Kali e Seu culto é aquele que afirma que sua adoração teria sido proibida pelos Ingleses devido à sua associação com a seita dos Thugs. Os Ingleses divulgaram através de sua imprensa (marrom) que havia na Índia uma seita de loucos fanáticos e homicidas que adoravam a Deusa Kali através do assassinato ritual e manipularam a opinião publica de forma que este costume bárbaro sofresse represálias à pedido da própria população. A verdade no entanto é outra …

A Deusa Kali têm sido uma das Divindades mais populares da região da Bengala e da Índia como um todo. Os Bengalis são conhecidos na Índia pelos seus dons artísticos e sua vigorosa força e influência cultural e política, na verdade é lá que encontramos as raízes da articulação política e nacionalista Indiana e lá também se situava a antiga capital da província Indiana – a cidade de Kolkata (antiga Calcutá).

È neste ambiente que a imagem da Deusa Kali se destacava como a representação dos anseios de liberdade do povo Indiano e muitos de Seus hinos (como o Chandi Path) eram recitados com uma mistura de fervor devocional e libertário. Não é necessário muita esperteza para perceber que este culto não agradava em nada aos senhores Britânicos e logo eles começaram à arquitetar uma maneira de destruir os movimentos de resistência e eliminar o símbolo deste anseio nacionalista (a imagem de Kali guerreira). No entanto eles não desejavam prejudicar sua imagem perante a opinião publica e ou se passar por “tirânicos”.

A resposta para este impasse veio através da descoberta e divulgação das atividades de uma seita inexpressiva de radicais adoradores de Kali que atuava nas estradas de barro do interior do País. Rapidamente as noticias sobre este grupo se espalharam e tomaram proporções imensas (até hoje muitos desinformados associam a Mãe Kali somente aos Thugs). Com o apoio do clamor “popular” as “autoridades” Britânicas puderam reprimir os movimentos de resistência que tinham como símbolo principal a imagem de Kali e ainda puderam se fazer passar por civilizadores e protetores dos nativos …

Realmente havia uma seita extremista na Índia chamada de Thugs, porém suas vítimas eram apenas peregrinos que demonstravam estar envolvidos com atividades consideradas inapropriadas ou “malévolas” e os Ingleses não tinham interesses por nenhum destes grupos.

Vale à pena lembrar a importância do Juiz da Suprema Corte Inglesa na Índia – Sir John Woodroffe que havia se convertido, recebido iniciações e se tornou um fervoroso devoto da Mãe Kali. Ele patrocinou a tradução do MahaNirvana Tantra para o Inglês, um Tantra que possui centenas de versos dedicados à legislação, direito legal e organização dos deveres do estado. Isto foi feito no intuito de demonstrar que os “nativos’ não eram tão selvagens como a mídia dominante na época queria deixar transparecer …

Como vemos algumas das supostas “verdades” sobre a história dos séculos XIX e XX merecem bastante estudo e reflexão. Vamos pesquisar e refletir pois ao buscador sincero a verdade não se esconde …

Por 卍 Sir John em http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=38633121

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Xamanismo e Tantra

Setembro 25, 2008 at 2:22 am (Uncategorized) (, , , , , )

Os xamãs surgiram nos primórdios da estrutura mental da consciência e ajudaram a fazê-la predominante. Sua tecnologia extática psicoespiritual é o produto da estrutura mental da consciência em seu alvorecer.

O xamanismo é a arte sagrada de mudar o próprio estado de consciência a fim de penetrar em outros domínios da realidade, nos quais habitam os espíritos. A palavra shaman ou xamã é de origem siberiana (Tungúsia) e denota ‘aquele que tem experiência em viajar pelos mundos dos espíritos’. Ao concentrar-se no som de um tambor, de um maracá ou de outro instrumento de percussão, ou então pela ingestão de substâncias psicotrópicas (como o cogumelo amanita muscaria), os xamãs mudam radicalmente o seu campo de percepção para que possam se comunicar com o mundo dos espíritos. Nisso, não são movidos pela curiosidade vã; antes, buscam obter poderes e conhecimentos essenciais para o bem-estar psíquico e corpóreo da comunidade a qual pertencem.

De acordo com algumas autoridades, o xamanismo é de origem africana. Outros vêem o xamanismo como uma tradição de âmbito mundial que surgiu independentemente em diversas culturas. Pessoalmente, inclino-me a aceitar a primeira opinião, que associa o xamanismo especificamente ao pano de fundo cultural da África e da Ásia Central.

O xamanismo siberiano sofreu, na Ásia Central, as mesmas discriminações que sofreram os adoradores da deusa no Egito e África. Aqui novamente ocorre o núcleo de uma renovação espiritual que atingiu a Índia. O tantra contém elementos do xamanismo siberiano. A transição do xamanismo ao tantra aconteceu na época em que surgiram no Oriente as primeiras cidades-estado e os xamãs passaram a ser perseguidos e mortos pelos representantes da religião oficial. Para não serem encontrados, eles tiveram de parar de bater seus tambores e, obrigados pela situação, elaboraram métodos silenciosos de alteração da consciência. Foi assim que surgiu a tradição tântrica.

Em geral, os xamãs ficam estimulados durante as viagens e, às vezes, dançam ou ficam extremamente agitados. No samádhi, a calma chega a ser tão profunda que muitos processos mentais param de se desenrolar por algum tempo.

O enfraquecimento da tradição xamânica determinou a ascensão das cidades-estado e o concomitante colapso das comunidades tribais às quais os xamãs serviam. Para bem compreender esse colapso, podemos encará-lo como sinal de uma mudança de consciência que intensificou e individualizou mais a autopercepção do homem. Tudo isso está associado ao surgimento da estrutura de consciência mental.

O xamã, quase sempre um homem, é um tecnólogo sagrado privilegiado que trabalha em prol da sua comunidade. Essa função é partilhada pelo sacerdote tântrico que cumpre os seus sacrifícios e demais rituais para o bem dos outros, quer sejam os espíritos dos seus ancestrais, quer a sua família imediata, quer toda a comunidade tântrica.

A hipótese que faz derivar o tantra de um xamanismo proibido pelo Estado é problemática, mas não há dúvida de que muitos aspectos e temas centrais do xamanismo se encontram também no tantra. Dentre os elementos que constituem o xamanismo e lhe são peculiares, temos de considerar estes como os mais importantes: (1) uma iniciação que compreende o desmembramento, a morte e a ressurreição simbólicas do candidato, e que implica, entre outras coisas, uma descida dele aos infernos e sua posterior ascensão aos céus; (2) a capacidade que o xamã tem de fazer viagens extáticas na qualidade de médico e “psiconauta” (ele sai em busca da alma do doente, roubada pelos demônios, captura-a e devolve-a ao corpo; conduz a alma do morto a Amenta, etc.); (3) o “domínio do fogo” (o xamã encosta no ferro quente, anda sobre brasas, etc., sem se queimar); (4) a capacidade do xamã de assumir a forma de diversos animais (voa como os pássaros, etc.) e de ficar invisível.

O tantra é uma tradição iniciática. É governado pela idéia da progressiva transcendência (“desmembramento”) da personalidade egóica humana. Encontramos ensinamentos tântricos que expõem o seu processo como um “desmantelamento” gradual da consciência ordinária. Isso corresponde ao desmembramento associado a “fórmula da corda” xamânica, uma hipnose coletiva; o xamã, levando na boca uma faca afiada, sobe pela corda atrás de um menino até ambos sumirem de vista. Depois de algum tempo, os membros cortados do menino caem lá de cima. O drama termina quando o menino é ressuscitado pelo xamã. Uma fotografia tirada durante o processo só revela o xamã sentado no chão, sozinho e talvez com um sorriso astuto nos lábios.

A introversão extática e a ascensão mística do tântrico equivalem ao vôo extático do xamã, e a função de ensinar do tântrico corresponde à função xamânica de guiar as almas. Além disso, muitos poderes xamânicos são reconhecidos pelo tantra, que os chama de siddhis: entre eles conta-se o poder de invisibilidade, que também é atribuído aos xamãs. Por fim, o domínio que o xamã tem sobre o fogo — uma proeza exterior — tem o seu paralelo no domínio do tântrico sobre o “fogo interior”, especialmente sobre o calor psicofisiológico gerado quando da ascensão da força vital no Kundaliní Yoga.

Também uma das técnicas mais conhecidas do Yoga — o sentar-se de pernas cruzadas em alguma das diversas posturas yogis (ásana) — tem a sua prefiguração xamânica. No livro Where the Spirits Ride the Wind, a antropóloga norte-americana Felicitas Goodman examinou diversas posturas xamânicas que são usadas para provocar estados de êxtase ou viagens astrais. Cada postura tem um efeito específico sobre a mente.

Se os xamãs demonstram o seu domínio sobre o fogo pegando brasas ardentes nas mãos, como os sacerdotes Kahuna da Polinésia, os tântricos destacam-se na arte do “auto-aquecimento” disciplinando-se a ponto de fazer correr suor de todos os poros. Há uma antiga prática xamânica que consiste em ficar sentado no meio de quatro fogueiras em pleno verão, com o sol escaldante brilhando lá em cima. Eu pratiquei essa antiquíssima técnica por um longo período. Quer através da prolongada retenção da respiração, quer através da transformação do impulso sexual em energia vital (ojas), os tântricos buscam do mesmo modo canalizar as tendências naturais do corpo-mente e criar assim uma pressão interior que se traduz em calor fisiológico. Eles se sentem como se estivessem consumindo-se em chamas. Então quando a experiência chega ao seu ponto máximo, ocorre uma radical mudança de estado e todo o ser deles fica iluminado. Eles descobrem que são essa luz, a qual não tem fonte, mas é ela mesma a fonte de todas as coisas.

O estado de iluminação é para o tântrico o que a viagem mágica para outros mundos é para o xamã. Ambas as experiências se diferenciam radicalmente da realidade e da consciência convencional. Ambas têm um profundo efeito transformador. No entanto, o tântrico, que viaja para dentro, descobre o quão inúteis são, no fim, todas as viagens, pois percebe que não há viagem que possa aproximá-lo ou afastá-lo da própria Realidade eterna e onipresente que é a meta da sua odisséia espiritual.

O xamã vive no ambiente dos mundos sutis da existência, os quais procura dominar. A marca distintiva do êxtase xamânico é a experiência do vôo da alma, ou da ‘viagem’, ou do ‘sair do corpo’. Em outras palavras, quando estão em êxtase, os xamãs sentem que o seu ser inteiro está voando pelo espaço e viajando, quer para outros mundos, quer para rincões longínquos deste mundo. Seu poder serve para efetuar mudanças no mundo material mediante a alteração das condições dos mundos sutis. A finalidade última do tântrico, porém, é a de ir além dos níveis sutis da existência explorados pelo xamã e realizar o Ser transcendente, transdimensional e não-qualificado, que o tântrico sabe ser a sua identidade mais profunda. Assim, ao passo que o xamã é um médico ou taumaturgo, o tântrico é antes de mais nada um “transcendente”. Mas, na subida espiritual que o conduz à Realidade Suprema, o tântrico tende também a obter muitos conhecimentos acerca dos mundos sutis (súkshmaloka). Isso explica o porquê de muitos tântricos terem demonstrado capacidades extraordinárias e terem sido considerados como taumaturgos e magos poderosíssimos pelos indianos.

Om Shiva.

Anuttara

Comunidade Yoga-br

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