Yoga e evolução
A idéia mais próxima de evolução que a tradição indiana predica é o “parinama”, que expressa a inconstância das formas no mundo material. Na literatura hindu, um cidadão pode morrer humano e nascer animal ou inseto. O parinama pressupõe mudança das formas, mas não necessariamente para atender a um desígnio superior ou para buscar uma perfeição idealizada.
O Yoga é o método adotado pelo Estado Indiano na Educação para converter suas crianças em “siddhas” (perfeitos). E siddha é a condição da pessoa que revela a sua perfeição natural (sahajasiddhiH). Naturalmente não estamos nos referindo à perfeição das formas, mas à sinceridade e autenticidade das ações.
Então podemos afirmar que não se deve dizer que o Yoga é “acelerador evolutivo”, pois nem ele acelera coisa alguma, nem tampouco o yogi busca qualquer tipo de “evolução”.
Antes que me ataquem pelos detalhes das palavras que utilizo, chamo a sua atenção para o fato de que, em termos de Ciência, a palavra “evolução” designa o conjunto de adaptações ou especializações pelas quais passa um organismo, e que asseguram a ele uma melhor adequação ao meio em que vive.
O Yoga não se destina à transformação do corpo, mas à realização de nossa natureza interior (svadharma), o que acaba por nos permitir viver melhor nesse mesmo corpo. Calmamente, sem pressa.
Dizendo de outra maneira, não estamos evoluindo quando buscamos nos tornar mais perefeitamente aquilo que já somos potencialmente. O desabrochar da semente, ou o amadurecimento do fruto, não se confunde com um processo evolutivo – que mudaria a sua natureza intrínseca.
A vida é um discurso, uma incessante sucessão de palavras. A razão aprisiona cada indivíduo numa teia de relações.
O Yoga transforma a vida em poesia da melhor qualidade. Por isso os sábios hindus eram chamados de “poetas” (kavayaH).