Yoga e Espiritismo
O Espiritismo é o que temos de mais parecido, no Ocidente, com as tradições preservadas na Índia. Isso é particularmente válido se nos referirmos mais especificamente à região dos Himalaias (Garhwali, Kumaeoni, Nepali e Tibetanos).
Há, no entanto, uma certa dificuldade em conciliar esses corpos culturais, em especial em razão da rejeição que o Espiritismo Kardecista apresenta, em suas obras, em relação a tudo aquilo que não seja a mensagem do Evangelho cristão.
Quando o Espirito “Emmanuel”, pela pena do saudoso Chico Xavier (não me recordo o nome do livro, mas qualquer espírita sabe qual é), enuncia que antes de Jesus Cristo não havia caridade, humildade, bondade sincera e outras qualidades essenciais para o bom espírita – usando como ilustração de seu argumento o Egito, a Índia, a Mesopotâmia, etc. fica muito claro que alguns espíritas rejeitam a validade dessas antigas culturas como referência para a boa espiritualidade.
No entanto, o espiritismo também tem defensores da boa diplomacia com a Índia desencarnada. As obras atribuídas ao espírito “Ramatis” partem da premissa de que há núcleos espíritas no mundo espiritual baseados no Hinduísmo – ainda que segundo esse segmento, também esses espíritos indianos reconhecem a supremacia da palavra de Jesus Cristo sobre as tradições do Oriente.
Quanto ao Yoga, em si, ainda que não seja uma norma a sua prática pelos espíritas, ele ofereceu a esse movimento uma contribuição inestimável. Para começar, a nomenclatura espírita utiliza termos da tradição tântrica do Yoga, em especial reconhecendo os “chakras”, o conceito de “karma” (reinterpretado, é claro), a idéia do “prana” e a importância do silêncio e da meditação. As práticas de controle respiratório também são essenciais à boa mediunidade.
Portanto, não há porque não aproximar mais o Yoga do Espiritismo. Não sei quantos yoginas vão se entusiasmar com a cultura espírita, mas certamente um pouco da prática de Yoga não vai fazer mal a médium nenhum.